Cidade da Praia, 22 Mar (Inforpress) – O grupo teatro “Fladu Fla” apresentou na noite de sábado, na Praia, a peça “Batom Vermelho”, que aborda a prostituição como tema central, conquistando o público e promovendo debate sobre um dos tabus da sociedade cabo-verdiana.
A apresentação da “Batom Vermelho”, resulta de uma simbiose entre drama e tragédia, interpretada por cinco mulheres, destacou-se pela forte adesão do público e pela forma directa como abordou temas sociais sensíveis, como a prostituição.
De acordo com o vice-presidente deste grupo cénico e director artístico do espectáculo, Sabino Baessa, a apresentação superou as expectativas, com relevância para a performance das actrizes e a reacção positiva da plateia.
“Estou com a sensação de missão cumprida”, afirmou Sabino Baessa, sublinhando que as actrizes “brilharam no palco” e que a reacção da plateia, marcada por fortes aplausos, demonstrou que o objectivo de agradar e sensibilizar foi alcançado.
A peça procura trazer à discussão um tema ainda considerado tabu na sociedade cabo-verdiana. De acordo com o responsável, a intenção foi “tirar da gaveta” a questão da prostituição, incentivando uma reflexão mais aberta e inclusiva sobre esta realidade.
“O objectivo primordial é consciencializar a sociedade, reconhecer que é uma realidade que existe e que deve ser analisada”, explicou.
Além da reflexão social, o espectáculo também apresentou abordagens que procuram empoderar pessoas que vivem ou pretendem ingressar nesse meio, recorrendo, por exemplo, a conceitos como a pirâmide de Maslow para explicar necessidades humanas e estratégias de organização.
Apesar do sucesso, Sebastino Baessa reconheceu a existência de algumas falhas técnicas, assegurando que a equipa irá reforçar os ensaios para melhorar as próximas apresentações
Por sua vez, a actriz Sheila Martins, que interpretou a personagem principal “Rose”, também considerou a experiência positiva, apesar dos desafios.
“Foi muito bom, a plateia vibrou connosco e conseguimos passar a mensagem principal”, disse, reconhecendo que o tema exige coragem por parte das actrizes, justamente por se tratar de um assunto sensível.
A peça retrata histórias marcadas por traumas, abandono familiar e outras problemáticas sociais, explicitou, reforçando o papel do teatro como ferramenta de mudança de mentalidade e que o grupo quer “quebrar o tabu e promover uma transformação através da arte”.
O espectáculo contou com reações positivas do público, tendo a espectadora Susana Furtado classificada a peça como “maravilha” e “muito pertinente”, salientando que aborda uma realidade social que merece maior atenção.
Para a espectadora, iniciativas do gênero contribuem para expor problemas como a desestruturação familiar e incentivar o debate na sociedade.
O espectáculo deriva de um reajuste da dramaturgia “Pixinguinhas”, da dramaturga Florizandra Porto, vencedora do prémio do concurso Dramaturgia Ano Novo 2021, promovido pela Fladu Fla em parceria com a autarquia praiense.
O grupo “Flado Fla” já tem planos de internacionalização, com uma apresentação prevista para Portugal, nomeadamente em Lisboa, possivelmente no mês de Junho.
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