Santa Maria, 22 Fev (Inforpress) – A ilha do Sal vai receber a primeira edição da feira Urdi, fora de São Vicente, de 25 a 29 de Março, na cidade de Santa Maria, e terá como lema “Valoriza o que é nosso”.
O anúncio foi feito hoje pelo ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga, durante uma conferência de imprensa realizada na ilha.
Segundo o governante, a realização da Feira Nacional de Artesanato e Design (Urdi)no Sal deve-se à “importância estratégica” da ilha no contexto nacional, sobretudo pela sua forte ligação ao turismo e pela posição no Atlântico.
“A iniciativa pretende dar maior visibilidade ao artesanato produzido em Cabo Verde e promover a troca de experiências, conhecimentos e parcerias entre os diferentes agentes do sector cultural e criativo”, sublinhou.
A Urdi-Sal deverá transformar a praça de Santa Maria numa “grande vitrine” da produção artesanal, cultural e artística do país, contribuindo também para dinamizar a economia local.
O foco estará nos artesãos, designers, artistas, distribuidores de produtos culturais e no próprio setor do turismo.
Esta primeira edição no Sal integra uma estratégia de descentralização cultural e de consolidação do artesanato “made in Cabo Verde” como um setor economicamente viável e culturalmente relevante.
A programação seguirá o modelo já realizado no Mindelo, com feira de artesanato, debates, concertos, lançamento de publicações do Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design - CNAD e workshops.
A organização é do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do CNAD, em parceria com a Câmara Municipal do Sal e com o apoio de várias instituições nacionais ligadas ao ambiente, turismo, transportes e sector financeiro.
Augusto Veiga adiantou ainda o objectivo de manter a edição de Novembro em São Vicente e, no Verão de 2027, estender o evento à Boa Vista, reforçando a presença da feira nas ilhas mais turísticas do país.
Paralelamente, foram assinados contratos de apoio financeiro com quatro escolas e associações da ilha no âmbito do programa Bolsa de Acesso à Cultura (BA-Cultura).
O montante total de 1.417.500 escudos será distribuído entre a Associação Apoio às Crianças de Terra Boa, a Associação Abraçar Sal, a Associação Chã de Matias e a escola de dança “Dance With Djess”.
Durante a cerimónia, representantes das associações destacaram que o programa representa uma oportunidade real para muitas crianças e jovens terem acesso à música, dança e outras formas de expressão artística.
A representante associativa, Queila Monteiro, afirmou que o protocolo “não é apenas uma assinatura, mas uma abertura de portas”, sublinhando que o talento existe em todos os contextos sociais, mas as oportunidades nem sempre são iguais.
Segundo explicou, projectos como “Música para Todos” pretendem transformar talento em cidadania, disciplina e orgulho.
Na sua intervenção, o ministro Augusto Veiga destacou que o BA-Cultura é um dos programas “mais importantes do ministério”, por combinar iniciação artística com inclusão social.
O governante sublinhou que o programa começou em 2017 com 42 escolas e iniciou em 2026 com 132 escolas em todo o país, demonstrando um crescimento significativo.
Na ilha do Sal, 229 alunos serão beneficiados este ano, sendo 118 raparigas e 111 rapazes, distribuídos pelas quatro instituições apoiadas.
O ministro reforçou que iniciativas deste tipo ajudam a ocupar os tempos livres de crianças e jovens, ao mesmo tempo que contribuem para formar cidadãos mais conscientes e preparados para o futuro de Cabo Verde.
NA/CP
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