Santa Maria, 11 Mar (Inforpress) – O ministro da Agricultura e Ambiente defendeu hoje, no Sal, a necessidade de “harmonizar interesses” entre a exploração turística e a conservação da natureza, durante o primeiro Comité de Pilotagem do projecto na Reserva da Costa do Fragata.
O projecto, intitulado “Promover a conservação e recuperação dos ecossistemas costeiros através da valorização de espaços naturais protegidos”, visa criar condições para que a preservação ambiental gere emprego local e diversifique a oferta de turismo de natureza.
À margem do encontro, em Santa Maria, Gilberto Silva explicou que a reserva, alvo de forte pressão por desportos náuticos, necessita de intervenções como a definição de trilhos, vedação de espaços sensíveis e conservação de dunas.
“Trata-se de potenciar a reserva para o turismo, mas conservando os seus valores”, afirmou, notando que o modelo será replicado noutras ilhas.
A proteção das tartarugas marinhas é um dos pilares centrais. O governante sublinhou que a definição de acessibilidades é crucial para impedir a circulação de veículos em locais de desova.
“Há um trabalho de elevação dos pisos para evitar inundações que levam as tartarugas a sair dos seus caminhos habituais”, detalhou.
Na ocasião, o ministro anunciou a aprovação de um modelo de cogestão das áreas protegidas, que permitirá a delegação de competências a ONG.
“Isto possibilitará uma cooperação previsível, com ações e meios de execução claros”, reforçou, indicando que o modelo arrancará em áreas que já dispõem de planos de gestão.
Para o coordenador da Cooperação Espanhola, Fernando Muñoz, o projecto é fundamental para resolver futuros conflitos de interesse e garantir um modelo de preservação para as gerações vindouras, indo “além das praias”.
Por seu lado, o presidente da Associação Projecto Biodiversidade, Albert Taxonera, considerou que a iniciativa vem “amplificar e acelerar” o trabalho já desenvolvido com o ministério.
Para o ambientalista, o desafio não reside apenas nos hotéis, situados maioritariamente em Ponta Sinó, mas na compatibilização de usos na Costa do Fragata.
“A área protegida não é apenas para benefício comercial; é também para o usufruto da população do Sal. Temos de ordenar a área para que todos se beneficiem de forma responsável”, defendeu Taxonera.
Sobre a cogestão, Taxonera mostrou-se optimista, embora aguarde a publicação do quadro legal.
Actualmente, a associação actua através de acordos de parceria na monitorização da biodiversidade, na sinalética e no restauro de ecossistemas.
O Comité de Pilotagem reuniu diversos actores locais para definir os próximos passos da execução deste projecto-piloto, que se centra na salvaguarda de ninhos de tartarugas e dunas numa zona de crescente atividade de lazer.
NA/JMV
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