Cidade da Praia, 23 Jul (Inforpress) – O Governo anunciou hoje a implementação de um Programa Nacional de Promoção do Empreendedorismo colectivo para organizar agricultores, pescadores e industriais em associações.
A ideia é aumentar a produção, reduzir custos, gerar economias de escala e facilitar o acesso aos mercados.
A intenção foi anunciada pelo ministro da Economia e Comércio, Indústria e Transição Digital, António Baptista, durante uma mesa redonda integrada no primeiro colóquio da qualidade, promovido pela Associação Cabo-verdiana da Qualidade, em parceria com o Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ), de Portugal, na cidade da Praia.
Segundo o governante, apesar do crescimento do turismo e do aumento do número de visitantes ao país, sectores como a agricultura, a pesca, a pecuária e a indústria nacional não têm acompanhado essa dinâmica, permanecendo aquém do potencial de desenvolvimento.
Na sua perspectiva, um dos principais constrangimentos está relacionado com a “reduzida dimensão dos empreendimentos e a fraca cultura” de organização colectiva entre os produtores nacionais.
“Nós somos pequenos por natureza, mas, para ganharmos competitividade e termos capacidade para exportar e beneficiar de economias de escala, é necessário começarmos a empreender colectivamente”, afirmou.
António Baptista explicou que o programa pretende incentivar modelos como cooperativas, consórcios e “joint ventures”, permitindo que pequenos empreendedores reduzam custos, aumentem o poder de negociação e assegurem volumes de produção capazes de responder às exigências do mercado, incluindo o sector hoteleiro e a exportação.
“Queremos ajudar os agricultores, os pescadores e os nossos industriais a gerar quantidade de produto e economia de escala que lhes permita alcançar mercados, por exemplo, os hotéis ou a exportação”, reforçou.
O ministro considerou que grande parte dos desafios enfrentados pelo sector empresarial poderá ser ultrapassada através do empreendedorismo colectivo, defendendo que “a união faz a força” e que esta abordagem constitui um instrumento importante para aumentar a competitividade da economia cabo-verdiana.
Informou ainda que a iniciativa está a ser preparada em articulação com o Ministério da Agricultura e Ambiente, responsável também pela pasta das pescas, bem como com outros departamentos governamentais e parceiros institucionais.
De acordo com António Baptista, o programa ainda não dispõe de um orçamento definido, uma vez que o Governo pretende, primeiro, auscultar os parceiros e aproveitar experiências anteriores desenvolvidas no país nesta área.
“Nós não vamos partir do zero. Cabo Verde já teve uma grande dinâmica em relação a esses assuntos. Queremos aproveitar o conhecimento existente e construir, em conjunto com os parceiros, um programa realmente inovador”, afirmou.
Questionado sobre se a iniciativa é específica do actual executivo, respondeu afirmativamente, sublinhando que, apesar de o tema ter sido abordado em anos anteriores, as medidas ficaram apenas ao nível das intenções.
O governante reconheceu que o país continua a registar uma reduzida propensão para o empreendedorismo colectivo, situação que, na sua opinião, tem dificultado, por exemplo, o fornecimento regular de produtos nacionais ao sector hoteleiro devido à incapacidade de garantir quantidades suficientes.
Por isso, assegurou que o Governo pretende avançar com um apoio mais eficaz do Estado para promover empreendimentos colectivos e alterar esta realidade.
DG/HF
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