Porto Novo, 22 Abr (Inforpress) – Organizações de cariz ambiental decidiram unir esforços na conservação da área marinha e costeira de Tarrafal e Monte Trigo, no município do Porto Novo, em Santo Antão, que poderá ser declarada um parque marinho, soube hoje a Inforpress.
Numa iniciativa da associação ambiental Terrimar, com sede em Santo Antão, várias organizações que promovem o ambiente estiveram reunidas, terça-feira, no município do Porto Novo, com foco na conservação da área costeira e marinha do Tarrafal de Monte Trigo.
A Terrimar explicou que o encontro teve como propósito definir, de forma participativa, a melhor estratégia de conservação para esta zona de “elevada importância ecológica, essencial para a biodiversidade e resiliência climática”.
Santo Antão poderá contar com um segundo parque marinho, localizado em Tarrafal de Monte Trigo, uma iniciativa impulsionada pela Terrimar, que tem estado a promover acções nesse sentido, no âmbito do projecto PaMar - fortalecendo a conservação marinha em Cabo Verde.
Graças a este projecto, que tem como entidade responsável a Fauna & Flora Internacional e financiado pela Blue Action Fund (BAF) e Ocean5, Arcadia 7, Terrimar tem vindo a realizar várias actividades no Tarrafal de Monte Trigo para se conhecer a biodiversidade marinha dessa região e a recolha de dados com vista à elaboração de uma proposta de criação da área marinha protegida.
A concretizar-se, será o segundo parque marinho em Santo Antão, depois do parque de Cruzinha, conhecido também como reserva natural, situada na Ribeira Grande.
Em 2024, a Câmara Municipal do Porto Novo propôs à comunidade científica e ao Governo a criação de um parque marinho no Tarrafal de Monte Trigo, considerando que este concelho, pela dimensão da sua área costeira, merece albergar um parque marinho.
Recentemente, a coordenadora do projecto sobre conservação dos ecossistemas marinhos em Santo Antão, Tereza Amaro, defendeu também a criação da área marinha protegida do Tarrafal de Monte Trigo, com vista à recuperação do ecossistema.
Estudos levados a cabo no âmbito deste projecto, implementado pela Universidade de Aveiro, Portugal, revelaram que a zona - que inclui a Baía do Tarrafal, o Passo de Pau, a Ponta de Peça e o Monte Trigo - devido a danos no ecossistema, apresenta pouca diversidade de peixes e de corais.
Esta especialista explicou que a criação da zona marinha protegida permitirá “fechar” esses sítios “para não haver mais danos”, acreditando que, em cinco anos, será possível recuperar o ecossistema marinho.
No quadro do projecto PaMar, Tarrafal de Monte Trigo recebeu também a iniciativa “guardiões do mar”, que consiste na formação e sensibilização dos pescadores com vista à protecção do ecossistema marinho nesta zona.
JM/ZS
Inforpress/Fim