Telavive, 19 Mar (Inforpress) - O número de israelitas sem acesso a 'bunkers' aumentou de 2,5 milhões para 3,19 milhões nos últimos seis anos, um problema que afecta sobretudo as comunidades árabes, afirmou o portal de notícias Shomrim.
O balanço publicado em 06 de Janeiro pelo Controlador do Estado e Provedor de Justiça de Israel, Matanyahu Englman, mostrou que um terço da população israelita, mais de nove milhões de pessoas, continuam sem acesso a um abrigo ou 'bunker' para se refugiar de ataques, numa altura em que a guerra com o Irão causou pelo menos 14 mortos no país.
“Um terço dos residentes de Israel não está devidamente protegido contra ataques com mísseis, incluindo mais de 42.000 residentes que vivem em comunidades situadas num raio de nove quilómetros da fronteira com a Síria e o Líbano”, afirmou o provedor, citado no comunicado.
De acordo com o Shomrim, portal de notícias independente e sem fins lucrativos que analisou o documento, o último relatório deste tipo, em 2020, indicava que o número de cidadãos sem acesso a estes abrigos passou de 28% para 33%.
A rede de abrigos é significativamente deficitária entre a comunidade árabe que reside em Israel, com o rácio de abrigos a chegar a um para cada 15 mil pessoas, acrescentou o portal, citando o relatório.
Existem apenas 37 abrigos públicos nas comunidades árabes, o que representa apenas 0,3% do número total de abrigos no país, indicou o relatório.
Dos 37, oito estão encerrados.
O meio de comunicação social adiantou que, de acordo com dados de 2024 do Centro de Emergência para Autoridades Locais Árabes, cerca de 60% das autoridades árabes não dispunham de abrigos antiaéreos.
O Shomrim adiantou que enquanto a cidade de Carmiel possui 126 abrigos antiaéreos públicos, duas cidades árabes adjacentes têm apenas dois entre ambas, equivalendo a um abrigo para cada 15 mil pessoas.
A situação é igualmente problemática em outras localidades como Rahat, lar da maior povoação beduína de Israel, com mais de 75.000 habitantes, em que existem apenas cinco abrigos públicos.
Em Segev Shalom, que tem uma população de 13.000 habitantes também de maioria beduína, não existe um único abrigo antiaéreo público, acrescentou o Shomrim.
O relatório deste ano indicou que, embora os abrigos individuais tenham aumentado de 3,5 milhões em 2020 para 4,3 milhões, os abrigos públicos coletivos desceram de 550 mil para 430 mil, enquanto os espaços de abrigo coletivo em apartamentos passaram de 2,5 para 1,5 milhões.
A auditoria concluiu também que o programa “Proteger o Norte”, lançado em 2018, que tinha como objetivo garantir que a população civil estivesse preparada para emergências, não executou o orçamento aprovado na totalidade.
“O orçamento atribuído à sua implementação foi inferior a metade do montante aprovado pelo Governo e, mesmo esse orçamento reduzido, não foi totalmente utilizado”, adiantou a nota, acrescentando que estas questões já tinham sido assinaladas pela provedoria num relatório anterior.
“Quando o Governo, o Comando da Frente Interna e as autoridades locais não se preparam adequadamente em tempos de rotina, os civis israelitas são prejudicados quando surge uma crise”, acrescentou o provedor Englman citado no comunicado.
A auditoria evidencia "deficiências nas acções de várias autoridades que não se organizaram de forma eficaz para prestar serviços adequados ao público e indicam a necessidade urgente de medidas corretivas imediatas", concluiu.
Na cidade de Ramat Gan, perto de Telavive, duas pessoas morreram na quarta-feira atingidas por estilhaços quando se dirigiam para um abrigo, de acordo com o serviço de emergência médica israelita.
Com estas vítimas, o número de mortos em Israel desde início da guerra com o Irão, a 28 de fevereiro, subiu para 14 pessoas.
Em 28 de Fevereiro, Israel e os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar de larga escala contra o Irão, que respondeu com o encerramento do estreito de Ormuz e ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes com projécteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.
Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão pelo menos 1.348 mortos e mais de 10.000 civis feridos.
Inforpress/Lusa
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