Cidade da Praia, 10 Jul (Inforpress) – O líder do Partido Popular (PP) afirmou hoje que o Programa do Governo da XI Legislatura deve ser avaliado pela sua capacidade de cumprir os compromissos assumidos perante os cabo-verdianos, como a eliminação das taxas moderadoras da saúde.
Amândio Barbosa Vicente considera positiva a intenção do Governo de eliminar o pagamento das taxas moderadoras na saúde e defende uma “maior diversificação da economia para promover o emprego”.
Em declarações à Inforpress, Amândio Barbosa Vicente disse esperar que o princípio de uma governação mais próxima dos cidadãos, inscrito no documento, seja efectivamente concretizado.
"O representante político do povo deve estar de corpo e alma ao serviço dos cidadãos. Esperemos que este princípio norteie a acção do Governo", sublinhou Barbosa Vicente.
Segundo o presidente do Partido Popular, o executivo encontra-se ainda "num ponto de partida", pelo que considera prematuro fazer uma avaliação da sua actuação, manifestando, no entanto, expectativa de que as promessas eleitorais sejam cumpridas.
Relativamente ao sector da saúde, Barbosa Vicente recordou que a cobrança das taxas moderadoras foi introduzida durante um governo do PAICV, liderado por José Maria Neves, sustentando que essa política contribuiu para a "mercantilização" dos serviços públicos de saúde.
O dirigente referiu que, na altura, a legislação previa o pagamento de taxas de internamento hospitalar, situação que, segundo disse, criou dificuldades a muitos utentes, tendo posteriormente sido alterada para reduzir os encargos suportados pelos cidadãos.
Apesar dessas críticas, considerou positiva a proposta do actual Governo de eliminar o pagamento das taxas moderadoras.
"É uma boa proposta e corresponde também a uma bandeira que o Partido Popular tem defendido desde a sua criação", frisou.
Ainda assim, advertiu que a expressão "custo zero" deve ser entendida com reservas, argumentando que os cidadãos continuam a financiar o sistema nacional de saúde através dos impostos.
"A saúde não é verdadeiramente custo zero, porque é financiada pelos impostos pagos pelos cidadãos. O que deixa de existir é o pagamento directo no momento da utilização do serviço", explicou.
No domínio do emprego e da juventude, Amândio Barbosa Vicente defendeu que os objectivos inscritos no Programa do Governo só poderão ser alcançados mediante uma transformação estrutural da economia cabo-verdiana.
Na sua perspectiva, o País deve reduzir a dependência do turismo e dos serviços, apostando igualmente na industrialização de sectores como a pesca e a agricultura.
"Se conseguirmos industrializar essas actividades, criaremos mais oportunidades de emprego e poderemos reduzir a saída de jovens à procura de melhores condições de vida no exterior", sustentou.
Questionado sobre as expectativas em relação ao cumprimento do Programa do Governo, o líder do Partido Popular asseverou que os cabo-verdianos estão habituados a ouvir promessas eleitorais que nem sempre são concretizadas, mas manifestou esperança de que esta legislatura represente uma mudança.
"O povo estará atento ao cumprimento das promessas. A democracia não deve existir apenas de cinco em cinco anos, durante as eleições, mas também através da exigência permanente dos cidadãos e da comunicação social", afiançou.
Amândio Barbosa Vicente considerou, contudo, que o Governo ainda está numa fase inicial de funções e, por isso, entende que não é o momento para formular críticas.
"Vamos aguardar pelo menos seis meses para avaliar os resultados. Esperamos que as promessas sejam cumpridas e que o Governo faça uma boa administração do país", concluiu.
O Programa do Governo vai ser discutido e aprovado na sessão plenária da Assembleia Nacional prevista para o dia 17 deste mês.
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