Ribeira Brava, 28 Set (Inforpress) – A Grande Feira do Livro 2026 abriu hoje na cidade da Ribeira Brava, em São Nicolau, sob o lema “Herança Literária”, com actividades de promoção da leitura, oficinas e encontros com escritores.
A iniciativa, promovida pela Biblioteca Nacional de Cabo Verde, em parceria com a Câmara Municipal da Ribeira Brava e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, decorre até quarta-feira, 30, no ano em que se assinalam os 90 anos da revista Claridade.
Na abertura, a presidente da Biblioteca Nacional, Matilde Santos, destacou a importância de levar o livro às diferentes ilhas e de aproximar crianças e jovens da leitura, salientando a forte tradição literária de São Nicolau e o seu destaque no Concurso Nacional de Leitura.
“É extremamente importante estar aqui na Ribeira Brava, num ano particularmente histórico para a literatura cabo-verdiana, em que celebramos os 90 anos da fundação da revista Claridade”, afirmou.
Segundo Matilde Santos, esta é a quarta itinerância da Grande Feira do Livro em 2026, depois das passagens pela ilha Brava, Ribeira Grande de Santiago e ilha do Sal.
A responsável explicou que, além da venda e divulgação de livros, a feira integra actividades paralelas, nomeadamente oficinas de leitura e de criação artística destinadas às crianças, com o propósito de incentivar o gosto pela leitura desde tenra idade.
Matilde Santos realçou ainda que as receitas arrecadadas durante a feira revertem para o Plano Nacional de Leitura e para a edição de obras, permitindo também apoiar iniciativas de promoção do livro e da leitura em Cabo Verde.
O programa inclui igualmente a participação da escritora portuguesa Vera Mateus, que irá dialogar com professores e alunos da Ribeira Brava, promovendo o intercâmbio literário entre Cabo Verde e Portugal.
Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, Nilton Monteiro, considerou que falar de livros, leitura e literatura em São Nicolau é também falar da identidade da ilha.
“São Nicolau é uma ilha historicamente ligada à leitura, ao conhecimento e à literatura”, afirmou, destacando o contributo da ilha para a cultura cabo-verdiana e o facto de ter sido berço de importantes referências literárias.
O autarca anunciou também que a autarquia está a trabalhar na reabilitação da biblioteca municipal, com o objectivo de transformar o espaço num local “vivo, acolhedor e acessível”, dedicado ao conhecimento, à cultura e à formação das novas gerações.
Por sua vez, o embaixador de Portugal em Cabo Verde, João Queirós, destacou o significado simbólico da realização da feira em São Nicolau, considerando que “o livro está a voltar a casa”, numa referência à tradição da ilha no domínio do ensino, da leitura e da escrita.
O diplomata salientou que a iniciativa permite levar livros a localidades onde nem sempre existem livrarias com oferta diversificada, além de contribuir para o Plano Nacional de Leitura e para o financiamento da edição de obras cabo-verdianas.
João Queirós adiantou ainda que as receitas da feira podem contribuir para o apetrechamento de bibliotecas escolares, estando prevista a entrega de livros a uma escola de São Nicolau no âmbito da iniciativa.
A Grande Feira do Livro 2026 prossegue até 30 de Setembro, com venda de livros, actividades de leitura, oficinas, encontros com escritores e outras iniciativas destinadas a promover o livro e a literatura junto da população de São Nicolau.
WM/JMV
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