Tarrafal: “Ler África Ibero-América” ensina técnicas de edição artesanal para democratizar produção de livros

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Tarrafal: “Ler África Ibero-América” ensina técnicas de edição artesanal para democratizar produção de livros
29/08/26 - 08:00 pm

Tarrafal, 29 Ago (Inforpress) – Participantes do “Ler África Ibero-América” aprenderam hoje técnicas de edição artesanal de livros, numa oficina prática que apresentou métodos tradicionais de produção e encadernação no Tarrafal de Santiago.

Orientada pelo formador argentino Carlos Rios, a sessão abordou métodos de costura e encadernação, incluindo técnicas de origem japonesa, visando dotar os formandos de autonomia na produção editorial sem dependência do circuito industrial.

O formador salientou que a técnica pode ser aplicada em bibliotecas comunitárias e na Casa do Livro e da Leitura, através de oficinas destinadas a jovens e adultos, e defendeu que a produção artesanal, por exigir poucos recursos e poder ser aprendida rapidamente, constitui uma possibilidade acessível para as comunidades.

Carlos Rios defende ainda que o livro deve ser um objecto presente no cotidiano das pessoas e não algo reservado a determinados grupos.

A experiência foi valorizada pela artista e formanda Ineida Moniz, que considerou a oficina importante para adquirir ferramentas que podem apoiar o seu trabalho de escrita e composição.

A cantora e compositora, Ineida Moniz explicou que a escrita faz parte do seu quotidiano e destacou a possibilidade de recuperar técnicas tradicionais de produção de livros, considerando os conhecimentos adquiridos uma mais-valia para futuras criações.

Para a professora de Língua Portuguesa Dulcilena Levy, a formação poderá ter aplicação directa nas escolas, permitindo associar a produção textual à Educação Artística.

A docente explicou que pretende utilizar os conhecimentos adquiridos para ajudar os alunos a produzir os seus próprios livros, incluindo publicações colectivas de turma.

Dulcilena Levy contou que já tinha tentado anteriormente realizar um projecto semelhante com os alunos, mas não conseguiu produzir o livro da turma por falta de conhecimentos técnicos. Com a nova formação, acredita que poderá concretizar esse objectivo com custos mais baixos.

A professora destacou ainda os conhecimentos adquiridos na área da mediação da leitura e a possibilidade de criar bibliotecas de turma, e considerou que estas iniciativas podem ajudar a aproximar os alunos dos livros, numa altura em que existe resistência à leitura.

A oficina integra a programação da segunda edição do “Ler África Ibero-América”, que decorre no Tarrafal de Santiago e inclui actividades de formação, debates e partilha de experiências relacionadas com o livro e a leitura.

DV/CP

Inforpress/Fim

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