
Cidade das Pombas, Paul, 23 Mar (Inforpress) – A presidente da Escolinha de Iniciação Desportiva do Paul (EID Paul), Neusa Silva, afirmou hoje que o projecto, que lidera há 15 anos, é movido pela “força do voluntariado silencioso” e por um profundo sentido de missão social.
Em declarações à Inforpress, no dia em que a equipa da EID Paul, actual tricampeã de Santo Antão Norte, inicia a sua participação no campeonato nacional de futebol sub-17, a dirigente explicou que ser voluntária na instituição é um “verdadeiro acto de entrega” que vai muito além do treino desportivo.
“Num projecto de formação, não estamos apenas a treinar atletas, estamos a formar pessoas, a incutir valores, a orientar caminhos. Isso exige entrega, muita paciência e responsabilidade. Não há retorno financeiro e nem esperamos por esse retorno”, lançou.
Segundo Neusa Silva, a EID Paul "é um projecto que muito orgulha" e que tem tido um impacto significativo na vida de muitos jovens do município", a nível desportivo, mas também como um espaço de transformação social, onde se formam não só atletas, mas cidadãos.
Para a responsável, existe “uma força discreta”, mas essencial na EID Paul que é desenvolvida pelos monitores e técnicos que dedicam o seu tempo, muitas vezes “com sacrifícios pessoais”, apenas pelo compromisso com os jovens e com a comunidade.
“É esse trabalho que considero silencioso, feito com paixão e dedicação, que mantém o projecto vivo e a fazer a diferença todos os anos, em todo momento, e cada jovem que abraçar também será abraçado por nós”, disse.
Questionada sobre a sua longevidade na liderança, a presidente Neusa Silva referiu que aceitou o desafio por compromisso com os jovens do município do Paul para desenvolver um projecto que tenha impacto real na comunidade em várias dimensões.
"Como mulher, estou na liderança há, sensivelmente, 15 anos. E tem sido um desafio exigente, mas extremamente gratificante. Ser mulher neste contexto, sobretudo no desporto, traz alguns desafios adicionais, mas também traz uma forma própria de liderar com sensibilidade, resiliência e determinação", frisou.
Neusa Silva admitiu que o desporto sempre fez parte da sua vida desde muito jovem o que tem sido fundamental na criação de oportunidades e na mobilização de pessoas em torno do projecto.
Acrescentou ainda que assumiu a presidência como uma forma de retribuir aquilo que aprendeu e recebeu enquanto praticante do desporto para poder dar oportunidade a outras crianças e jovens.
Para Neusa Silva, a liderança feminina também tem muito a contribuir no desenvolvimento do desporto local, nacional e onde ela quiser e puder estar, trabalhando com dedicação.
“Mais do que provar algo, é mostrar que há espaço para todos”, defendeu, lamentando, contudo, que o voluntariado raramente seja valorizado como deveria.
Apesar do sucesso desportivo, a líder da EID Paul apontou desafios estruturais que condicionam o dia-a-dia da escola, nomeadamente a orografia do município. Segundo a mesma, a dispersão geográfica dificulta a deslocação diária de jogadores de zonas como Cabo da Ribeira até Fajã de Janela para os treinos.
A par da logística, a escassez de um tecido empresarial forte no Paul limita a captação de patrocínios, o que acaba por encarecer as acções desenvolvidas.
Apesar disso, Neusa Silva admitiu que sempre contam com parceiros que acreditam no projecto e com o apoio de pessoas e instituições que reconhecem o valor da EID Paul e muitas vezes “dão pequenos contributos, mas com grande significado”.
A EID Paul conta com cerca de 26 anos de existência e representa a Região Norte no campeonato nacional de futebol sub-17, que decorre de hoje até ao dia 04 de Abril.
EL/CP
Inforpress/Fim
Partilhar