
Mindelo, 23 Mar (Inforpress) - A associação ambientalista Biosfera remove, anualmente, cerca de 60 toneladas de lixo numa extensão de apenas três quilómetros da linha costeira de Santa Luzia, revelou à Inforpress o técnico do departamento de poluição marinha, Hércules Sousa.
O foco principal destas operações, que se iniciaram em 2011, tem sido a Praia dos Achados, considerada a zona de maior nidificação de tartarugas marinhas na ilha.
O técnico avançou que a Biosfera realizou a sua maior campanha entre 2019 e 2020 e, neste momento, possui 11 caçambas construídas com materiais encontrados na costa, que servem de reservatório do lixo à espera da sua retirada.
“De acordo com estudos que temos feito, já conseguimos remover cerca de 60 toneladas de lixo (…). Mas ainda não temos a quantidade total que conseguimos retirar da ilha de Santa Luzia, porque estamos agora a preparar estudos para avaliar se é possível remover todo o lixo da ilha e qual seria o impacto dessa remoção”, disse Hércules Sousa.
Conforme o técnico, as caçambas são uma medida de contenção para que, quando houver uma solução para remover o lixo da ilha, este esteja concentrado num único local.
“Além do lixo à superfície, existe também muito lixo debaixo da areia. Antes de fazer as caçambas, cavamos buracos para que fiquem mais firmes e não sejam derrubadas pelo vento. São construídas com madeira que chega à praia e é recolhida três dias antes das campanhas de limpeza”, explicou a mesma fonte, acrescentando que, antes de cada campanha, uma equipa é encarregada de ampliar a capacidade das caçambas, evitando a necessidade de construir novas.
Apesar do esforço contínuo, Hércules Sousa sublinhou que existem áreas da ilha onde "é praticamente impossível caminhar sem pisar no lixo" e onde a intervenção humana ainda não chegou.
A única vez em que conseguiram remover lixo da ilha, afirmou, foi durante a passagem do navio ‘Plastic Odyssey’, quando retiraram 300 quilos de resíduos das praias que foram levados para o barco e reciclados.
“Fizeram barras e produziram cadeiras, inclusive, temos duas dessas cadeiras no acampamento”, afirmou o técnico da Biosfera.
Segundo ele, esta é uma forma de resolver o problema dos plásticos mais leves na praia, mas o maior desafio continua a ser a grande quantidade de redes e materiais de pesca que chegam a Santa Luzia.
“As redes e materiais de pesca são os resíduos que mais encontramos aqui, e ainda não encontramos uma solução para transformá-los”, acrescentou.
Hércules Sousa destacou ainda que a ação do sol e do mar sobre o lixo resulta na formação de microplásticos, que aumentam a cada ano na Praia dos Achados, tornando a sua remoção cada vez mais difícil.
CD/CP
Inforpress/Fim
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