
Seixal, 29 Ago (Inforpress) – A Organização Lusófona para Interação Cultural (OLIC) promoveu hoje, no Seixal (Portugal), uma conferência para debater o papel da diáspora no desenvolvimento de Cabo Verde, com destaque para juventude, integração, cultura e participação cívica.
O encontro, realizado no Auditório da Câmara Municipal do Seixal, sob o lema “Cabo Verde na Diáspora: repensar o presente, construir o futuro”, reuniu quadros, dirigentes associativos e jovens residentes em Portugal para definir caminhos de participação directa no crescimento do arquipélago.
Em declarações aos jornalistas no final do encontro, o porta-voz da OLIC, Gelson Rodrigues, explicou que a iniciativa pretende recolher os contributos dos participantes e oradores sobre os temas debatidos, de modo que possam contribuir de forma directa ou indirectamente para o processo de desenvolvimento de Cabo Verde.
De entre os temas debatidos, destacou a situação da juventude, lembrando que, nos últimos anos se registou uma saída significativa de jovens cabo-verdianos para Portugal.
“Os jovens estão a emigrar em massa por falta de oportunidade. Os sucessivos governos não têm criado condições necessárias e oportunidades para fixar os jovens, para trabalharem e darem a sua contribuição”, afirmou o jovem imigrante.
Para o responsável, a emigração em busca de formação e melhores oportunidades nem sempre constitui um processo fácil, sobretudo tendo em conta a actual conjuntura económica e social em Portugal.
Ainda assim, considerou que os jovens cabo-verdianos residentes na diáspora podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento do país, através da partilha de conhecimentos e competências adquiridos na diáspora.
Nesse sentido, defendeu que o Governo deve criar condições para fixar jovens e permitir que emigrem com responsabilidade e liberdade, para que possam decidir se querem emigrar ou ficar em Cabo Verde e não de forma forçada, como vem acontecendo nos últimos anos.
Gelson Rodrigues anunciou que a organização, criada há dois anos, vai sintetizar as conclusões do encontro num relatório com recomendações a remeter ao Governo de Cabo Verde.
Relativamente à integração da comunidade cabo-verdiana em Portugal, reconheceu que o processo nem sempre é fácil, mas considerou que os cabo-verdianos têm conseguido paulatinamente afirmar a sua cultura e identidade.
Segundo aquele responsável, esse trabalho tem sido desenvolvido tanto individualmente como através das associações, que têm desempenhado um papel importante na união da comunidade cabo-verdiana e no reforço das ligações entre a diáspora e Cabo Verde.
O encontro contou ainda com a presença do presidente da Câmara Municipal de Seixal, Paulo Silva, e dos deputados do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Carla Lima, Elisângela Fernandes e Gilson Cardoso.
FM/CP
Inforpress/Fim
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