
Mindelo, 06 Fev (Inforpress) – A cidade do Mindelo constitui “um óptimo laboratório” para a análise das alterações e da preservação do património, tendo em conta as chuvas ocorridas no ano passado, declarou hoje a investigadora Sónia Bombico.
A pesquisadora da Universidade de Évora (Portugal) falava à imprensa no âmbito do workshop do projecto “Cultivar”, realizado em São Vicente, para dez participantes, em parceria com as universidades de Cabo Verde e Jean Piaget e o Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais (ISCEE).
Segundo a mesma fonte, no ano passado Mindelo sofreu “um grande impacto” no decorrer das chuvas e nessas circunstâncias o património “está sempre em risco”.
Por isso, explicou, a ideia é também pensar no workshop como podem prevenir essas questões e preservar o património edificado, bem como o património imaterial.
Para o evento em São Vicente, informou, foi escolhido o tema-chapéu “Paisagens culturais vivas”, com o objectivo de desenvolver uma metodologia para avaliar os diferentes impactos das transformações.
“Por exemplo, o impacto que transformações como as alterações climáticas e a questão da imigração podem ter na modificação das nossas paisagens”, clarificou.
Conforme Sónia Bombico, o objectivo do workshop é capacitar instituições de ensino superior de Cabo Verde, envolvendo uma equipa de professores e alunos, em particular de mestrado e doutoramento, para trabalharem conjuntamente no desenvolvimento de ferramentas que permitam implementar, desenhar e pensar projectos interdisciplinares.
A ideia, explicou, é que, por exemplo, alunos de um curso de História tenham noções mais concretas da produção agrícola e da pesca e, ao mesmo tempo, que os de Turismo possam ter uma formação mais consistente na área do Património e História.
Isto, acrescentou, para que possam depois desenvolver produtos turísticos e também de desenvolvimento do território que vão mais ao encontro das reais necessidades do espaço onde estão inseridos.
Segundo a mesma fonte, o workshop decorre em São Vicente até segunda-feira, 09, dia em que vão receber intervenientes do sector turístico, da produção alimentar, do património e entidades governamentais, entre outras áreas.
Isto, acrescentou, para compreender, na perspectiva dos diferentes sectores, quais são as principais oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos turísticos, a valorização desses produtos e do próprio património cultural, bem como perceber quais são as limitações ou bloqueios existentes.
“A ideia é definir linhas de investigação para o futuro que possam ser desenvolvidas, por exemplo, em teses de mestrado e doutoramento ou em projectos de investigação a nível internacional para os próximos anos”, arrematou.
Além de São Vicente, o workshop do projecto “Cultivar” aconteceu na cidade da Praia e será realizado, a partir de 16 de Fevereiro, em São Tomé e Príncipe, em parceria com a universidade local.
O projecto “Cultivar” é liderado pela Universidade de Évora (Portugal) e tem como parceiros europeus a Universidade de Sassari e a UNIMED, União das Universidades do Mediterrâneo.
Além disso, conta com parceiros em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe.
CD/AA
Inforpress/Fim
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