Capitania dos Portos contesta alegado atropelamento de bote por navio na Boa Vista por falta de provas

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Capitania dos Portos contesta alegado atropelamento de bote por navio na Boa Vista por falta de provas
06/02/26 - 10:37 pm

Sal Rei, 06 Fev (Inforpress) – O capitão dos Portos de Barlavento contestou hoje a denúncia de que um navio estrangeiro teria atropelado um bote de pesca na ilha da Boa Vista, alegando inexistência de provas materiais e contradições nos relatos apresentados pelos pescadores.

Em declarações por telefone à imprensa, Aguinaldo Lima reagia à denúncia da proprietária da embarcação, Alcinda de Pina, que afirmou ter perdido o bote após um alegado choque com o navio “Star Explorer”. 

Segundo o responsável, os dados recolhidos pelas autoridades marítimas não confirmam a ocorrência de uma colisão directa.

O capitão referiu que as declarações dos pescadores sobreviventes apresentam pontos que “não batem”, destacando que a própria sobrevivência dos tripulantes levanta dúvidas quanto à versão apresentada.

“Se realmente aquele navio tivesse batido directamente naquele bote de boca aberta, penso que nenhum daqueles pescadores sobreviveria”, afirmou, sublinhando que o impacto de um navio de carga de grande porte teria destruído completamente a pequena embarcação artesanal e provocado vítimas mortais.

De acordo com Aguinaldo Lima, a explicação mais plausível é que o navio tenha passado muito próximo do bote, e que a força das ondas geradas tenha provocado o seu volteio e posterior afundamento, sem que tenha ocorrido contacto físico entre as duas embarcações.

Outro elemento apontado foi a inspeção realizada ao navio “Star Explorer” quando este fez escala no porto de São Vicente. O capitão esclareceu que se trata de um navio de carga a granel, e não de contentores como inicialmente referido, acrescentando que os técnicos não encontraram no casco quaisquer marcas de tinta ou sinais de colisão.

“Sem evidências, sem provas concretas, não podemos fazer nada. Não podemos obrigar o navio a assumir responsabilidades”, explicou, indicando que, perante a ausência de indícios materiais, o caso foi dado como encerrado.

Ainda assim, Aguinaldo Lima afirmou que a Capitania tentou agir dentro das suas competências, mas reiterou que o comandante do “Star Explorer” negou qualquer envolvimento no incidente, não havendo base legal para deter o navio.

MGL/JMV

Inforpress/Fim.

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