Associação defende maior compromisso da sociedade para garantir inclusão e dignidade às pessoas surdas (c/áudio)

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Associação defende maior compromisso da sociedade para garantir inclusão e dignidade às pessoas surdas (c/áudio)
29/08/26 - 03:35 pm

Cidade da Praia, 29 Ago (Inforpress) - A Associação de Familiares e Amigos de Surdos de Cabo Verde (AFAS-CV) advogou hoje um maior compromisso da sociedade com a inclusão, alertando que a acessibilidade e dignidade das pessoas surdas constituem uma responsabilidade colectiva.

A posição foi defendida pela presidente da associação, Ângela Lopes, a propósito do lançamento do "Setembro Azul", mês de sensibilização para os direitos e inclusão da comunidade surda, que este ano decorre sob o lema “Um mês de consciência para uma vida de dignidade”.

Em declarações à Inforpress, a responsável explicou que o tema pretende chamar a atenção para as necessidades existentes na comunidade surda e incentivar a sociedade a criar condições que permitam uma inclusão efectiva.

“É um mês de criar consciência, mas que também facilita a vida do surdo com maior dignidade”, afirmou Ângela Lopes, sublinhando que as acções de sensibilização devem produzir resultados concretos e de longo prazo.

A representante da associação reconheceu que existe maior sensibilidade da sociedade relativamente às questões da inclusão, mas lamentou que ainda haja pessoas que consideram o assunto distante por não terem familiares surdos ou contacto direto com a comunidade.

Para Ângela Lopes, a inclusão não deve ser vista como uma “moda”, mas como uma responsabilidade da sociedade em geral, incluindo das instituições públicas e das entidades que trabalham na área da deficiência.

“Se todos os que falam de inclusão puserem a mão na massa para que ela aconteça, a inclusão acontece”, afirmou apelando à transformação dos discursos e compromissos em medidas concretas.

A responsável defendeu igualmente que as próprias pessoas surdas “devem ter voz” e espaço para falar das suas necessidades e mostrar as suas capacidades, considerando que não cabe a uma pessoa ouvinte falar em nome delas.

Para assinalar a data e ir ao encontro das necessidades reais no terreno, a AFAS-CV vai promover a “Rota Azul”, projecto em que uma equipa móvel percorrerá os nove concelhos da ilha de Santiago para mapear os desafios enfrentados pelas pessoas surdas nas comunidades urbanas e rurais.

Ângela Lopes apontou como principais entraves a escassez de professores preparados nas escolas regulares, o abandono escolar e o isolamento enfrentado por idosos surdos fruto de barreiras comunicacionais.

A AFAS-CV pretende também continuar a promover formação em Língua Gestual Cabo-verdiana, considerada pela associação uma das ferramentas necessárias para melhorar a comunicação e criar um ambiente mais inclusivo.

Ângela Lopes deixou, por isso, um apelo às instituições, famílias e sociedade em geral para que contribuam para a mudança da realidade vivida pela comunidade surda porque “a pessoa surda é capaz como qualquer outra”.

CG/CP
Inforpress/Fim

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