
Cidade da Praia, 12 Fev (Inforpress) – O PAICV acusou hoje o Governo de estar a “manipular” o Cadastro Social Único para fins eleitorais, mas o executivo nega a acusação.
Intervindo sobre esta matéria, a deputada eleita nas listas do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), Carla Carvalho, reiterou que o Governo de Ulisses Correia e Silva “usa bem a ferramenta, que é o cadastro social, para viciar e instrumentalizar a favor do MpD”.
“Sabemos que o cadastro social está nas câmaras [municipais], mas sempre que se avizinha a época das eleições, aos funcionários é-lhes retirado o acesso e tudo é coordenado a partir do Ministério”, denunciou a deputada que foi contrariada pelo ministro Fernando Elísio, dizendo que é “falso” que as medidas do Governo tenham sido tomadas com fins eleitoralistas.
Carla Carvalho disse que foi o próprio deputado Emanuela Barbosa que escreveu a confirmar que o Governo utilizou o cadastro social “para ganhar eleições legislativas e, depois, não permitiu que o candidato presidencial [Carlos Veiga] ganhasse as eleições”.
Por sua vez, Emanuel Barbosa esclareceu que tinha dito que as políticas boas “não devem ser descontinuadas”.
“As políticas públicas devem ser implementadas e continuadas para ajudar, sim, a ganhar as eleições, porque qualquer partido o seu objectivo maior é o Governo”, replicou Barbosa.
Ainda sobre a erradicação da pobreza no país, o ministro da área social reiterou que Cabo Verde tem hoje menos pobres do que há dez anos.
Fernando Elísio Freire desafiou os deputados do PAICV a “ganharem tom e compasso” no discurso no que tange ao que desejam para Cabo Verde.
Acusou ainda o maior partido da oposição da falta de coerência no concernente à narrativa sobre pobreza no arquipélago, além de “manipular” os números sobre esta problemática.
Em 2015, indicou Fernando Elísio Freire, a pobreza era de 35, 5% (por cento), enquanto em 2024 era de 24,75%.
Os deputados do partido da “estrela negra” confrontaram o Governo com a construção do monumento da liberdade, recentemente inaugurado, custando 150 mil contos “ignorando” a pobreza que ainda assola o país.
O ministro, que esteve a ser interpelado, lembrou que, quando foi construída a estátua de Amílcar Cabral, na Cidade da Praia, o país confrontava-se com “mais de 40 por cento” de pessoas pobres e, que agora que se edificou o monumento à liberdade e democracia, Cabo Verde tem 25 % de pobres.
A União Cabo-verdiana Democrática e Independente (UCID-oposição) desafiou o executivo a reduzir “drasticamente” o número de famílias pobres que aumentaram, na sequência da graduação do país para rendimento médio alto.
“Se não fizermos isso, iremos continuar a ter mais pessoas a ter maior número de dificuldades”, concluiu o porta-voz dos democratas-cristãos António Monteiro.
LC/ZS
Inforpress/Fim
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