Linguista destaca impacto positivo do investimento na Língua Materna na Educação

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Linguista destaca impacto positivo do investimento na Língua Materna na Educação
21/02/26 - 02:00 am

Cidade da Praia, 21 Fev (Inforpress) – A linguista Ana Karina Moreira considerou hoje que o investimento rigoroso na língua materna, particularmente no sistema educativo, é fundamental para potenciar a capacidade de aprendizagem e ampliar o acesso a oportunidades pela população cabo-verdiana.

Em declarações à Inforpress, por ocasião do Dia Internacional da Língua Materna, assinalado anualmente a 21 de Fevereiro, a especialista sublinhou que o domínio da língua materna é determinante para o acesso a serviços, à participação política e à inclusão social.

A efeméride foi proclamada pela Unesco em 1999 com o objectivo de promover a diversidade linguística e cultural e incentivar o multilinguismo a nível global.

Segundo Ana Karina Moreira, a aposta estruturada no ensino do crioulo poderá trazer “ganhos significativos no desenvolvimento cognitivo dos alunos” e “contribuir para a redução do insucesso escolar”. 

“Não há dúvidas de que a língua, em qualquer cultura, é a expressão máxima da identidade. É através dessa língua que expressamos vários aspectos da nossa cultura, do nosso pensamento, do nosso ser e do nosso agir”, afirmou.

A docente da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) sustentou ainda que a língua não possui apenas valor identitário, mas também valor prático, defendendo que não deve ser vista exclusivamente como língua de identidade. 

“Pode ser língua da ciência, pode ser língua do ensino, pode ser tudo o que nós quisermos”, salientou.

Para a especialista, é necessário criar mecanismos que permitam a valorização da língua em todos os contextos, advertindo que a não oficialização do crioulo limita o acesso a recursos e investimentos essenciais para o seu ensino e promoção.

Questionada sobre o impacto do uso da língua materna na fase inicial da escolaridade, explicou que o ensino explícito da língua portuguesa é igualmente importante para evitar interferências linguísticas, uma vez que as duas línguas apresentam estruturas semelhantes, mas distintas.

“Enquanto não houver ensino explícito, o aluno vai misturando as duas línguas e essa mistura produz erros dos dois lados”, referiu.

A linguista lembrou que a declaração universal dos direitos linguísticos refere que todas as crianças têm o direito de aprender com a sua língua materna.

A mesma fonte deixou ainda um apelo à população cabo-verdiana para que continue a valorizar a língua materna, incentivando o aprofundamento do conhecimento sobre a sua história, estrutura e funcionamento, como forma de preservar este património cultural e científico.

DG/AA

Inforpress/Fim

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