
São Filipe, 05 Out (Inforpress) – Um mês após o acidente que matou 25 pessoas continuam desconhecidas as causas da tragédia e as condições da estrada Chã das Caldeiras/Campanas de Cima, no Fogo, apesar de as equipas de investigação já terem entregue os relatórios.
Volvidos 30 dias do acidente que enlutou toda a ilha do Fogo e o país, a Inforpress apresenta um resumo dos acontecimentos.
No dia 05 de Setembro, um autocarro que regressava de Chã das Caldeiras, transportando 38 pessoas, saiu da estrada no percurso para Campanas de Cima e caiu numa ravina com 52 metros.
O acidente provocou 25 mortos, 20 no local e cinco no Hospital Regional São Francisco de Assis, além de 13 feridos.
Nas primeiras horas, as autoridades anunciaram que as circunstâncias e as possíveis causas seriam apuradas após a conclusão das operações de resgate.
Nos dias 06 e 07 de Setembro, o Presidente da República, José Maria Neves, e o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, participaram no funeral de pelo menos 18 das 25 vítimas, já que outras sete foram sepultadas de madrugada no cemitério de São Lourenço.
O primeiro-ministro visitou o local e anunciou uma análise às condições da estrada, incluindo aspectos relacionados com a construção, fiscalização, traçado e segurança da via.
O Governo decretou dois dias de luto nacional e decidiu aprofundar a investigação, sublinhando que não seriam avançadas conclusões antes do trabalho dos técnicos e especialistas.
De 08 a 11 de Setembro, uma equipa da Estradas de Cabo Verde (ECV), chefiada pelo administrador executivo José Horta Varela, deslocou-se ao Fogo para avaliar as condições de segurança da via entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima.
A missão incluiu a análise do troço onde ocorreu o acidente e de outras estradas nacionais da ilha. O empreiteiro responsável pela obra deveria também produzir um relatório independente sobre as condições da via.
No dia 10 de Setembro, o Governo anunciou a criação de uma equipa multidisciplinar para investigar as causas do acidente, integrando peritos da Polícia Judiciária, Polícia Nacional, Direcção-Geral dos Transportes Rodoviários, Forças Armadas e Estradas de Cabo Verde (ECV).
A equipa realizou uma inspecção exaustiva ao local e já apresentou um relatório sobre as possíveis causas, cuja divulgação aguarda-se.
Já nos dias 11 e 12 de Setembro, a Resolução n.º 104/2026 criou formalmente a Comissão de Inquérito, incumbida de apurar as causas, circunstâncias e eventuais responsabilidades.
A comissão analisou, entre outros aspectos, as condições de segurança, traçado, pavimentação, sinalização e conservação da estrada, além do estado do autocarro, manutenção, inspecções e condições de circulação. O relatório final deveria ser entregue ao ministro da Administração Interna no prazo máximo de 15 dias após a publicação da resolução, prazo que foi cumprido.
A Comissão de Inquérito iniciou, no dia 15 de Setembro, os trabalhos na ilha, com uma equipa multidisciplinar, para apurar as causas imediatas e remotas do acidente.
Nos dias 21 e 22 de Setembro, durante uma visita ao local, o ministro das Infraestruturas, Carlos Tavares, revelou que as conclusões preliminares sobre a estrada apontavam para problemas de sinalização, embora a pavimentação apresentasse condições consideradas adequadas.
Na altura, porém, esclareceu que o relatório sobre as condições da estrada ainda estava a ser elaborado e que uma equipa distinta investigava as causas do acidente.
Nos primeiros dias, várias instituições apresentaram condolências à ilha e às famílias e visitaram o local do acidente em sinal de solidariedade e homenagem às vítimas, assim como equipas de psicólogos, assistentes sociais e psiquiatras para acompanhar as famílias.
A Câmara Municipal de São Filipe criou uma conta bancária para mobilizar a solidariedade das instituições públicas e privadas, cidadãos residentes na diáspora e a corrente de solidariedade continua a mobilizar parceiros.
A autarquia tem assistido 29 famílias, 26 na ilha do Fogo e três na ilha de Santiago afectadas pelo acidente.
Hoje, 05 de Outubro, passado um mês sobre a tragédia, permanece sem esclarecimento público a causa do despiste que levou o autocarro à ravina e não foram divulgadas conclusões definitivas sobre as condições de segurança da estrada.
Isto acontece apesar de a equipa da ECV ter realizado a avaliação da via e de a Comissão de Inquérito ter desenvolvido os trabalhos destinados a apurar as causas, havendo indicação no processo de que os relatórios técnicos deveriam ser produzidos e entregues às autoridades competentes.
O autocarro acidentado encontra-se ainda no local e não há uma previsão para a sua retirada nem os moldes em que deverá acontecer.
JR/ZS
Inforpress/Fim
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