
Cidade da Praia, 22 Jul (Inforpress) – O músico, produtor musical e sonoplasta Paló defendeu que o desenvolvimento da música cabo-verdiana depende de maior investimento na formação, profissionalização e valorização dos profissionais do sector.
Em entrevista à Inforpress, Paulo Renato Mariano de Figueiredo, conhecido artisticamente por Paló, afirmou que o actual dinamismo da música cabo-verdiana, impulsionado pelo aparecimento de novos artistas, pelas tecnologias de gravação e pelas plataformas digitais, representa uma oportunidade para o sector, mas exige uma aposta contínua na qualificação.
Com mais de quatro décadas de carreira, o músico recordou que iniciou a actividade numa época em que gravar um disco era um processo complexo e dispendioso, contrastando com a realidade actual, em que as tecnologias tornaram a produção musical mais acessível.
Segundo Paló, a democratização dos recursos técnicos favoreceu o surgimento de novos talentos e facilitou a divulgação das obras, mas advertiu que a facilidade de acesso às ferramentas não garante, por si só, qualidade artística.
Para o músico, uma carreira consistente continua a depender do estudo, da disciplina e da capacidade de evolução, defendendo que a tecnologia constitui um apoio importante, sem substituir o conhecimento musical nem a experiência.
Considerou, igualmente, que os jovens músicos dispõem hoje de oportunidades inexistentes no início da sua carreira, graças ao acesso facilitado à informação, à formação, aos programas de produção musical e às plataformas internacionais.
Ainda assim, sustentou que é indispensável reforçar a formação em áreas como teoria musical, harmonia, composição, interpretação e produção, que considera determinantes para elevar a qualidade das obras.
Paló defendeu, também, maior valorização dos profissionais dos bastidores, como produtores, técnicos de som, engenheiros de áudio e iluminadores, sublinhando que o seu trabalho é determinante para a qualidade dos espectáculos e das gravações.
O músico apelou ainda ao reforço das estruturas representativas da classe artística, considerando que uma melhor organização poderá contribuir para defender os interesses dos profissionais, melhorar as condições de trabalho e promover o desenvolvimento sustentável do sector.
Outro dos aspectos destacados por Paló foi a necessidade de reforçar a protecção dos direitos de autor e dos direitos conexos.
Defendeu mecanismos que assegurem uma remuneração justa dos autores e compositores pela utilização das suas obras.
O músico considerou, contudo, que continua por criar, à semelhança do que acontece noutros países, uma estrutura que permita remunerar os músicos pelas suas participações em trabalhos discográficos, mediante prova da respectiva colaboração. Defendeu igualmente uma organização capaz de representar e orientar os profissionais da música ao vivo.
Dirigindo-se às novas gerações, afirmou que o talento constitui apenas o ponto de partida, defendendo que a construção de uma carreira exige perseverança, aprendizagem contínua e abertura à experiência dos profissionais mais antigos.
Paló manifestou ainda confiança na capacidade da música cabo-verdiana para reforçar a sua projecção internacional, considerando que a riqueza dos géneros tradicionais e a criatividade dos novos artistas constituem uma base sólida para enfrentar um mercado cada vez mais competitivo.
Defendeu, por fim, um equilíbrio entre tradição e inovação, sustentando que preservar a identidade musical cabo-verdiana não implica rejeitar novas influências, mas antes manter um diálogo que sempre marcou a evolução da música do arquipélago.
JMV/HF
Inforpress/Fim
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