
Tarrafal, 22 Jul (Inforpress) – O escritor cabo-verdiano Mário Loff considerou hoje que o Tarrafal de Santiago continua a ser o principal território da sua criação literária, descrevendo o concelho como uma metáfora de Cabo Verde e da condição humana.
Em entrevista à Inforpress, o autor de Kaldu Pexi afirmou que o Tarrafal "nunca foi apenas o lugar" onde nasceu, mas uma forma de olhar o mundo e uma presença constante na sua escrita.
Segundo Mário Loff, os lugares moldam as pessoas, razão pela qual continua a transportar o Tarrafal para os seus livros através da memória, da oralidade, da linguagem e das histórias da comunidade.
O escritor defendeu que o concelho representa muito mais do que o antigo campo de concentração, considerando que é também um espaço de música, tradição oral, hospitalidade, resistência e criatividade.
Na mesma entrevista, sustentou que a convivência entre a beleza natural e a memória histórica faz do Tarrafal um território singular, capaz de traduzir algumas das principais contradições da sociedade cabo-verdiana.
Mário Loff acrescentou que a literatura nasce frequentemente da memória e da observação do quotidiano, apontando as pequenas histórias e as pessoas anónimas como uma fonte permanente de inspiração para a sua obra.
Natural do Tarrafal de Santiago, Mário Loff é poeta, ficcionista e activista cultural. Licenciado em História e Património pela Universidade de Cabo Verde, é membro fundador da Associação Literária do Tarrafal de Santiago (ALTAS).
JMV/CP
Inforpress/fim
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