
Cidade da Praia, 18 Ago (Inforpress) - O artesão e artista Beto Diogo assinala hoje 35 anos de carreira, percurso marcado pela capoeira, ginástica acrobática e artesanato, com destaque para a produção de sandálias, bolsas, carteiras e chaveiros.
A Rua Pedonal, no Plateau, é o cenário escolhido por Beto Diogo para assinalar 35 anos de carreira, numa trajectória ligada à capoeira, à ginástica acrobática e ao artesanato.
Entre as peças expostas na rua, o artista celebra mais um aniversário de carreira, numa data que representa mais de três décadas dedicadas a diferentes expressões artísticas e culturais.
“Para mim é muito bom, porque há três frentes que tenho vindo a desempenhar: a acrobacia, a capoeira e o artesanato”, afirmou o entrevistado da Inforpress, que encontrou na capoeira a porta de entrada para o artesanato.
A ligação entre as duas áreas surgiu a partir da própria prática da capoeira.
Conforme Beto Diogo, a produção de instrumentos e o desenvolvimento da desenvoltura entre os capoeiristas contribuíram para o seu interesse pelo trabalho artesanal.
Em 2011, criou oficialmente o Ateliê Beto Diogo e, a partir dessa fase, passou a ministrar formações e a participar em exposições colectivas.
Na altura, estabeleceu uma parceria com a Câmara Municipal de Santa Catarina, através da qual participou em feiras internacionais de artesanato, fóruns regionais e residências colectivas.
Entre os projectos em que esteve envolvido esteve a Rua do Artesão, iniciativa que considera “importante para a dinamização do sector”, mas cuja concretização, segundo o artista, depende das políticas de cada município.
Ao longo dos 35 anos de carreira, Beto Diogo participou em várias feiras dentro e fora de Cabo Verde.
Entre os momentos que guarda na memória está a participação numa iniciativa no Brasil, em 2013, relacionada com a carteira profissional de artesãos.
Actualmente, produz sandálias, bolsas, carteiras e chaveiros, além de desenvolver uma pesquisa sobre as sandálias tradicionais de Cabo Verde, com o propósito de contribuir para a sua divulgação.
A valorização do artesanato nacional é, também, uma das preocupações que acompanham o artista.
Beto Diogo avaliou que Cabo Verde registou alguns avanços no sector, mas defende a criação de melhores condições para a produção, comercialização e valorização das peças nacionais.
“Não temos uma concorrência saudável. O artesanato tem, primeiro, a qualidade e a inovação, que são necessárias para entrar no mundo e para termos clientes”, sustentou.
O artífice considera necessária uma maior articulação entre as entidades responsáveis pela cultura e as câmaras municipais, sobretudo na selecção dos artesãos que representam os municípios em eventos como a Feira de Artesanato e Design de Cabo Verde (URDI), realizada em São Vicente.
Na sua perspectiva, a escolha deve privilegiar a qualidade dos trabalhos e o mérito dos artesãos, sem influência de critérios partidários ou relações pessoais.
Beto Diogo chamou também a atenção para a presença de produtos importados em lojas destinadas à comercialização de artesanato, situação que considera prejudicial para os produtores nacionais.
No que diz respeito à capoeira, reconhece uma evolução da modalidade em Cabo Verde, com o aumento do número de grupos e maior harmonia entre os praticantes.
Contudo, defendeu, a aposta na qualidade e numa abordagem adaptada à realidade cabo-verdiana.
A ginástica acrobática completa a sua trajectória artística. Durante a década de 1990, participou em vários festivais dentro e fora do país, incluindo eventos internacionais ligados à modalidade.
Actualmente, no seu ponto de vista, a acrobacia atravessa períodos de maior e menor dinâmica, embora continue a existir actividade, sobretudo em São Vicente.
Aos 35 anos de carreira, Beto Diogo mantém-se ligado às três áreas que marcaram o seu percurso e continua a encontrar no artesanato uma forma de expressão e valorização de elementos da cultura cabo-verdiana.
KF/ZS
Inforpress/Fim
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