Tarrafal: Jovem alerta para morte de predadores naturais devido ao uso indiscriminado de veneno para ratos

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Tarrafal: Jovem alerta para morte de predadores naturais devido ao uso indiscriminado de veneno para ratos
17/08/26 - 08:16 pm

Tarrafal, 17 Ago (Inforpress) – O jovem tarrafalense Ivandro Lopes alertou hoje para os riscos do uso indiscriminado de veneno para ratos, que, segundo afirmou, está a provocar a morte de animais domésticos e predadores naturais, incluindo aves raras.

Ivandro Lopes, que trabalha no campo, manifestou esta preocupação em declarações à Inforpress, defendendo maior fiscalização sobre a comercialização e utilização de produtos destinados ao combate aos ratos, por considerar que a situação representa uma ameaça ambiental e de saúde pública.

Segundo o jovem, o veneno é vendido pelos minimercados chineses e utilizado sem o devido controlo, sendo muitas vezes colocado em diferentes locais, enquanto os ratos mortos acabam por ser deixados ao alcance de outros animais que deles se alimentam.

“Quando mata o rato, qualquer animal que comer esse rato envenenado também morre”, afirmou, apontando para a redução de predadores naturais que ajudam a controlar a população de roedores.

Entre as espécies que diz estarem ameaçadas, destacou a garça-vermelha, a coruja e outras aves predadoras, além de gatos, cães, porcos e aves domésticas, quando o veneno é colocado em qualquer local onde possa ser alcançado por esses animais, considerando “particularmente preocupante” a perda de animais que desempenham um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas.

Para Ivandro Lopes, a eliminação destes predadores poderá contribuir para o aumento da população de ratos, criando um problema ainda maior para as comunidades, sobretudo num contexto em que os roedores já são apontados como uma preocupação em várias localidades do país.

“A preocupação é que, se não tivermos predadores naturais dos ratos, teremos ainda mais ratos”, salientou, defendendo a procura de métodos de controlo que sejam eficazes, mas que não provoquem a morte indiscriminada de outras espécies.

O jovem disse já ter levado a preocupação à Câmara Municipal do Tarrafal, à Delegacia de Saúde, a associações e organizações ligadas à área ambiental, mas lamentou não ter observado, até ao momento, uma resposta concreta que permita enfrentar o problema.

Questionou igualmente a eficácia da fiscalização da venda destes produtos, considerando que o acesso fácil a venenos considerados “muito potentes” pode representar riscos não apenas para os animais, mas também para as pessoas.

Além da questão ambiental, Ivandro Lopes chamou a atenção para a saúde pública, alertando para o aumento descontrolado de ratos que poderá favorecer a transmissão de doenças e agravar as dificuldades enfrentadas pelas famílias nas zonas urbanas e rurais.

Defendeu, por isso, uma intervenção conjunta das autoridades municipais, governamentais, organizações ambientais e comunidades, para encontrar uma solução que permita combater os ratos sem comprometer os predadores naturais e outros animais.

A situação dos ratos, frisou, não se limita ao Tarrafal, uma vez que moradores de vários municípios de Santiago e de outras ilhas têm vindo a reclamar da presença de roedores, tanto em terrenos agrícolas como no interior das residências.

Para o jovem, é necessário encontrar um equilíbrio entre o combate aos ratos e a preservação das espécies que naturalmente contribuem para o seu controlo, sob pena de o problema ambiental e sanitário se tornar ainda mais grave.

MC/ZS

Inforpress/Fim

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