
Cidade da Praia, 05 Nov (Inforpress) - A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) defendeu hoje que a transformação do sistema educativo exige um compromisso coletivo que vá além do sucesso curricular capaz de preparar estudantes para o pensamento crítico e Era da inteligência artificial.
A posição foi manifestada na abertura da Conferência Nacional de Educação, que decorreu sob o lema "Educação para todos: Pensar a escola, transformar Cabo Verde”, pela vice-reitora Helga Carvalho, que discursou em nome da reitora Estrigilda Silveira.
Segundo a mesma fonte, o lema do evento convoca a uma responsabilidade que ultrapassa os limites das instituições educativas.
Isto porque, continuou, a escola não transforma a sociedade apenas pelo que ensina, mas também pela forma como ensina as pessoas a pensar, a conviver e a agir sobre a realidade.
Para a vice-reitora, uma escola pode cumprir os seus programas curriculares, transmitir conhecimentos e avaliar resultados sem, contudo, proporcionar oportunidades suficientes para que os estudantes desenvolvam a curiosidade, a criatividade e a confiança necessárias para construir soluções coletivas.
Face a estas responsabilidades, a educação “assume particular relevância” num país insular como Cabo Verde, onde as desigualdades territoriais e socioeconómicas podem, de facto, condicionar as oportunidades educativas.
Por seu lado, o representante da Unicef em Cabo Verde, David Matern, apontou que a educação no país enfrenta uma dualidade contraditória, pois, apesar dos avanços históricos na alfabetização e na inclusão, o arquipélago lida com uma crise de aprendizagem e com o desafio de reter os jovens nos ensinos secundário e superior.
“O arquipélago demonstrou uma forte capacidade de investimento no seu capital humano ao longo das últimas duas décadas, alcançando indicadores de destaque no contexto africano. A taxa do pré-escolar atinge pouco mais de 85%, a alfabetização global alcançou 88,5% da população com 15 ou mais anos e a alfabetização jovem fixou-se em 98,6%”, sustentou.
Contudo, estes dados demonstram que as conquistas contrastam com “barreiras persistentes que limitam o desenvolvimento humano e a competitividade económica” do país.
Segundo David Matern, o Ensino Secundário regista uma taxa líquida de escolarização estagnada nos 60% e o Ensino Técnico conta com apenas 8% dos alunos.
Sob o painel “Pensar a educação do futuro: ideias, experiências e transformação”, o debate de hoje está direcionado para “as grandes transformações necessárias ao sector”, confrontando o pensamento científico, as experiências pedagógicas e a visão estratégica para Cabo Verde.
PC/AA
Inforpress/Fim
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