
Cidade da Praia, 09 Jul (Inforpress) - O toxicologista Ángel José Gutiérrez recomendou hoje que Cabo Verde continue a sensibilizar os agricultores para reduzir o uso de pesticidas e reforce as análises de alimentos nacionais e importados para garantir a segurança alimentar.
As recomendações do catedrático de Toxicologia da Universidade de La Laguna (Canárias) foram feitas à imprensa à margem do encerramento da formação especializada sobre Avaliação de Riscos Toxicológicos e Contaminantes, que decorreu quarta-feira e hoje, na sede do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), na cidade da Praia.
Para o especialista espanhol, o arquipélago já dispõe de entidades capacitadas para gerir riscos nesta matéria, mas acções como esta servem para consolidar conhecimentos e aperfeiçoar os mecanismos de controlo.
Ao traçar um paralelo com a realidade europeia, Ángel Gutiérrez explicou que a Europa adopta critérios mais restritivos devido a décadas de experiência acumulada na gestão do risco, mas realçou que Cabo Verde caminha no sentido certo para proteger a sua população.
O especialista destacou igualmente a importância da cooperação com o Projecto ALSEMAC, defendendo que a partilha de conhecimentos e experiências entre os parceiros da Macaronésia contribui para o fortalecimento das capacidades técnicas de todos os envolvidos.
Relativamente à segurança alimentar, sublinhou que a presença de contaminantes nos alimentos é inevitável, mas defendeu que o importante é assegurar um sistema eficaz de monitorização e gestão dos riscos.
Neste sentido, Ángel Gutiérrez recomendou também uma maior aposta na economia circular e no consumo de produtos de proximidade, por contribuírem para a redução da “pegada de carbono” e para o fortalecimento da produção local, embora reconheça, no entanto, que arquipélagos como Cabo Verde, Canárias, Açores e Madeira dependem significativamente da importação de alimentos.
"É necessário garantir que os produtos importados chegam em boas condições e que apresentam níveis adequados de contaminantes, de forma a não representarem riscos para a saúde da população", afirmou o catedrático.
Do lado dos participantes, o técnico superior Ailton Ribeiro, responsável pelo Departamento de Microbiologia Clínica do laboratório de controle de qualidade da água e dos alimentos, considerou que a formação trouxe conhecimentos fundamentais.
Segundo apontou, foram abordados aspectos essenciais como os procedimentos de amostragem, preparação, acondicionamento e transporte de amostras destinadas a análises laboratoriais, que contribuirá para reforçar a qualidade dos processos de controle alimentar.
DG/CP
Inforpress/Fim
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