Sociedade civil defende participação mais activa e crítica nas políticas de cooperação do país

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Sociedade civil defende participação mais activa e crítica nas políticas de cooperação do país
29/09/26 - 02:39 pm

Cidade da Praia, 29 Set (Inforpress) – A antiga secretária-executiva da Plataforma das ONG, Dirce Varela, defendeu hoje um papel mais activo, crítico e político da sociedade civil na cooperação, incluindo na definição das prioridades de desenvolvimento de Cabo Verde.

Em declarações à Inforpress, à margem da apresentação do relatório “Tendências da Cooperação em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Portugal”, Dirce Varela considerou que a sociedade civil deve conquistar maior espaço no actual quadro da cooperação e deixar de ser vista apenas como executora de projectos.

“A cooperação não pode ser feita somente entre os Estados. É preciso criar oportunidades para que as organizações da sociedade civil possam participar de forma mais efectiva”, defendeu.

Segundo a responsável, as organizações devem assumir um posicionamento político que lhes permita beneficiar directamente das oportunidades criadas pela cooperação e participar nas decisões relacionadas com o desenvolvimento do país.

Defendeu, neste sentido, que a sociedade civil deve acompanhar as opções políticas, apresentar propostas e contribuir para a definição das prioridades nacionais de desenvolvimento.

Outro aspecto considerado essencial por Dirce Varela é a capacidade crítica das organizações para analisar os resultados da cooperação e questionar se os apoios concedidos estão, efectivamente, a contribuir para o desenvolvimento sustentável de Cabo Verde.

“As organizações da sociedade civil têm de ter capacidade crítica para perguntar se aquilo que estamos a receber está realmente a contribuir para o desenvolvimento sustentável ou se estamos a criar mais dependência”, afirmou.

A responsável defendeu que os modelos de cooperação devem ser avaliados também pela sua capacidade de promover sustentabilidade e autonomia, evitando que os países beneficiários permaneçam excessivamente dependentes de recursos externos.

Na sua perspectiva, as organizações da sociedade civil devem, igualmente, desempenhar um papel no empoderamento das populações, criando condições para que as pessoas sejam agentes de transformação e desenvolvimento nas suas comunidades.

“Enquanto sociedade civil, nós sabemos que quando isso acontece, há um grande risco do aumento da pobreza”, afirmou, referindo-se à redução dos recursos destinados à cooperação para o desenvolvimento e à necessidade de reforçar a participação das organizações.

Dirce Varela sublinhou ainda que a sociedade civil deve assumir-se como um parceiro relevante nas opções políticas do país, sobretudo por trabalhar directamente com as populações e conhecer as dificuldades enfrentadas pelos grupos mais vulneráveis.

A antiga secretária-executiva da Plataforma das ONG salientou que o relatório apresentado constitui um olhar da sociedade civil sobre as tendências da cooperação nos quatro países, produzido a partir da experiência de organizações que trabalham com o desenvolvimento e com as populações mais carenciadas.

O documento analisa, no caso de Cabo Verde, a evolução da cooperação desde 1991, procurando identificar os principais parceiros multilaterais e bilaterais, o impacto das intervenções nos diferentes sectores e os desafios colocados pelo actual contexto internacional.

A apresentação decorreu no âmbito da primeira Semana da Sociedade Civil, sob o lema “Construir em Parceria: Sociedade Civil em Rede”, promovida pela Plataforma das ONG.

CM/HF

Inforpress/Fim

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