
Mindelo, 06 Out (Inforpress) - A UCID contestou hoje, no Mindelo, a extinção da ARES e a eventual fusão da Uni-CV com a UTA e pede que a Assembleia Nacional ouça as instituições, responsáveis e sociedade civil antes de qualquer decisão.
Em conferência de imprensa para antevisão da primeira sessão parlamentar de Outubro, que arranca quarta-feira, 07, na cidade da Praia, a deputada Zilda Oliveira considerou que a extinção da Agência Reguladora do Ensino Superior (ARES) representaria “um retrocesso para o país”.
Segundo indicou, a agência tem contribuído para o reconhecimento profissional de diplomas nacionais e para a garantia da qualidade do ensino superior.
“A independência da ARES permite separar quem faz a política de quem avalia a qualidade. Do contrário, seria o Governo a avaliar-se a si próprio”, afirmou.
A deputada questionou igualmente os fundamentos de uma eventual fusão entre as duas instituições universitárias públicas, a Universidade Técnica do Atlântico (UTA) e a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), apontada pelo Governo como uma medida de racionalização de custos.
Para a UCID, é necessário saber se foram realizados estudos que demonstrem a poupança resultante da fusão e quais seriam os impactos da medida, nomeadamente em São Vicente.
Zilda Oliveira instou, por isso, o parlamento a promover audições com as instituições, responsáveis do sector e sociedade civil antes de avançar com decisões sobre a reorganização do ensino superior.
Apontando o debate sobre a educação como um dos pontos altos da sessão parlamentar, a deputada assegurou que o sector deve constituir uma prioridade nacional e ser alvo de políticas de Estado, com “consensos duradouros e estratégias de longo prazo”.
No caso de São Vicente, Zilda Oliveira destacou os problemas identificados durante visitas realizadas pela UCID a diferentes estabelecimentos de ensino, entre os quais a degradação do parque escolar, défice de equipamentos laboratoriais e informáticos e falta de pessoal administrativo e operacional.
“Precisamos de uma nova escola em São Vicente, uma nova escola secundária, e de uma visão para o ensino técnico”, defendeu.
A UCID propõe igualmente o reforço do acompanhamento psicológico nas escolas, através da colocação de psicólogos clínicos, bem como a revisão da oferta alimentar nas cantinas e o alargamento da refeição quente a todas as escolas secundárias.
No que toca à docência, Zilda Oliveira considerou os cerca de oito mil professores como o principal agente de transformação da educação e recomendou políticas que contemplem formação contínua, melhores condições de trabalho, estabilidade profissional, acompanhamento pedagógico e valorização da carreira.
Relativamente ao ensino superior, Zilda Oliveira saudou o princípio da gratuidade das propinas nas universidades públicas, anunciado pelo Governo para o presente ano académico, por considerar que poderá abrir oportunidades a muitas famílias.
LN/AA
Inforpress/Fim
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