
Mindelo, 09 Jan (Inforpress) – A família, em Ribeira Bote, que viveu o drama de perder uma criança de cinco anos e ainda aguarda pelo paradeiro da matriarca após a passagem da tempestade Erin, viu finalmente a sua habitação reconstruída.
O apoio, que não chegou das instâncias estatais, veio da comunidade emigrada nos Países Baixos (Holanda), mais precisamente de jovens empresários que se juntaram para apoiar São Vicente, após a catástrofe, com um grupo denominado “Força São Vicente”.
Tal como afirmou à Inforpress o filho Nelson da Luz, a ajuda apareceu como um bálsamo para a tragédia que se abateu sobre a sua família e que continua gravada na memória de todos os familiares.
Durante o pico da tempestade Erin, recordou, a força das águas invadiu a humilde casa de lata construída pela mãe, na zona de Ribeira Bote, arrastando o sobrinho, de apenas cinco anos, cujo corpo foi recuperado sem vida, e a matriarca da família, de 73 anos, que continua, até à data, oficialmente desaparecida.
Após meses de desamparo e a viver em condições precárias, a luz surgiu através da solidariedade da diáspora.
Um grupo de emigrantes radicados na Holanda mobilizou recursos para transformar a antiga “casa de tambor” numa habitação de cimento com condições de segurança e habitabilidade.
“A ajuda apareceu no momento em que estávamos a precisar muito, porque a família estava um bocado desorientada, não tínhamos um alojamento, um abrigo. Estamos muito agradecidos”, sublinhou.
Nelson, visivelmente emocionado, não escondeu a satisfação pela nova morada, que, asseverou, devolve a dignidade da família e é uma forma de honrar a memória do sobrinho, e especialmente da mãe, “uma mulher batalhadora e que mesmo perante a pobreza sempre lutou para a que a família andasse de cara levantada”.
Mas aproveitou a ocasião para lançar duras críticas à ausência de respostas das autoridades locais e nacionais.
"Estamos muito satisfeitos com esta nova casa, mas é um sentimento agridoce. Estes emigrantes na Holanda fizeram o que o Estado nunca fez por nós. Eles substituíram o apoio que deveria ter vindo das instituições do nosso país, que nos deixaram à própria sorte após termos perdido tudo, inclusive os nossos entes queridos", desabafou Nelson.
Por isso, conforme a mesma fonte, a nova casa representa um recomeço físico, ainda que o vazio deixado pelas perdas humanas seja irreparável.
O gesto dos emigrantes, completou, é um exemplo de "djunta-mon" que ultrapassa fronteiras.
Da parte do grupo Força São Vicente, os elementos confirmaram antes à Inforpress que, através de dinheiro arrecadado, vão continuar a apoiar pessoas na reconstrução das casas.
Também em Fevereiro pretendem trazer a Mindelo um grupo de engenheiros holandeses, especialistas em engenharia hidráulica e drenagem de águas pluviais, para apoiar no reforço da resiliência da ilha face a eventos climáticos extremos.
A tempestade Erin, em São Vicente, deixou nove mortes, causou elevados danos materiais e vários desalojados expondo a vulnerabilidade das famílias que residem em zonas de risco e em habitações precárias.
LN/ZS
Inforpress/Fim
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