São Vicente: Petanque ganha espaço e aposta na expansão para novos praticantes

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São Vicente: Petanque ganha espaço e aposta na expansão para novos praticantes
09/02/26 - 12:21 pm

*** Por Letícia Neves, da Agência Inforpress ***

Mindelo, 09 Fev (Inforpress) – O petanque, jogo tradicional de origem francesa, tem vindo a conquistar espaço no Mindelo, onde praticantes mais experientes procuram despertar o interesse dos mais jovens, promovendo convívio, lazer e a troca entre gerações.

Actualmente, o grupo reúne-se quase todos os dias, ao final da tarde, na praia da Laginha, transformando o espaço balnear num verdadeiro ponto de encontro desportivo e social.

Entre lançamentos de bolas metálicas e conversas descontraídas, o jogo vai atraindo curiosos e novos adeptos.

Apesar da aparente simplicidade das regras, o petanque exige concentração, técnica e estratégia. 

O objectivo é lançar as bolas de metal o mais próximo possível da `cochonnet´ (termo francês), equivalente ao bolim em português, mas que em São Vicente já ganhou o apelido de “tchukin”.

A prática começou de forma tímida, impulsionada por emigrantes cabo-verdianos radicados em França, que durante as férias traziam consigo o hábito do jogo. 

Um deles é Óscar Gonçalves Júnior, 69 anos, que conheceu o petanque em França e há mais de uma década integra o grupo de praticantes no Mindelo, mantendo, inclusive, o francês como língua de comunicação durante as partidas.

“É um jogo muito familiar, praticado por pais, filhos e amigos. No nosso caso, somos mais aposentados que procuram divertimento. Vimos de manhã tomar banho na Laginha e voltamos à tarde para jogar petanque”, contou.

Embora o grupo ainda seja reduzido, já integra jogadores que aprenderam a modalidade em São Vicente, como Quim Xavier, antigo guarda-redes da selecção cabo-verdiana de futebol, com um vasto percurso também no voleibol, basquetebol e ténis.

Aos 71 anos, Quim Xavier não abdica de “desperdiçar” diariamente algum tempo com os amigos, aproveitando o ar puro da Laginha.

“Quando estou aqui, não penso em mais nada”, afirmou o praticante, que joga petanque há mais de dez anos.

A ambição do grupo passa agora pela massificação da modalidade e pela sua introdução nas escolas, como forma de garantir continuidade.

“É um jogo que já tem campeonato mundial. O cabo-verdiano tem jeito para várias coisas e, se conseguirmos desenvolver o petanque, quem sabe onde podemos chegar”, perspectivou Quim Xavier.

A criação de uma associação ou clube de petanque no Mindelo é outra das metas traçadas.

“Queremos deixar essa herança. Quando nós, mais velhos, pararmos, que haja outras pessoas a jogar”, reforçou Óscar Gonçalves.

Como primeiro passo, os praticantes organizaram, em Dezembro de 2025, um torneio inter-ilhas entre São Vicente e Santo Antão, onde a modalidade também começa a ganhar adeptos.

O jogo tem ainda conquistado mulheres, como Zazá Lima, 52 anos, praticante há cerca de um ano.

O interesse dela surgiu através do marido, de nacionalidade francesa, com quem passa temporadas em Cabo Verde.

“Ele incentivou-me a aprender pouco a pouco. Hoje já gosto muito, ajuda-me a aliviar a cabeça”, contou Zazá, que sai do trabalho às 14:00, e às 15:30 já está na Laginha para jogar.

Outra vertente apontada como potencial de crescimento é o turismo. 

Segundo os praticantes, não é raro turistas abordarem o grupo para conhecer ou mesmo participar nos jogos.

Durante a reportagem, a Inforpress encontrou um casal de turistas a jogar com o grupo, e o marido Giovanni Spinali, belga de origem italiana, residente em Portugal, disse ter ficado surpreendido ao encontrar petanque em Cabo Verde.

“Nunca pensei que viria jogar petanque aqui, num cenário tão bonito, à beira-mar, com sol e meninas bonitas. É incrível, que mais posso esperar da vida”, afirmou, destacando ainda a simpatia e abertura dos cabo-verdianos.

Entre lazer, desporto e convívio à beira-mar, o petanque vai assim lançando raízes em São Vicente, com a esperança de que as novas gerações abracem o jogo e garantam a continuidade da modalidade no arquipélago.

LN/AA

Inforpress/Fim

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