Santo Antão: Professor universitário diz que ilha pode dar primeiros passos para influenciar descentralização

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Santo Antão: Professor universitário diz que ilha pode dar primeiros passos para influenciar descentralização
20/03/26 - 10:14 pm

Porto Novo, 20 Mar (Inforpress) – O professor universitário Marco António Cruz disse hoje, no Porto Novo, que a ilha de Santo Antão pode começar, desde agora, "a dar alguns passos para influenciar o processo de descentralização" em Cabo Verde. 

Autor do livro “Cabo Verde entre o partidarismo e a esperança de descentralização”, apresentado hoje na cidade do Porto Novo, Marco Cruz desafiou as autoridades desta ilha a começarem “a dar alguns passos” nesse sentido.

“Santo Antão é uma das ilhas que mais têm sofrido com o centralismo em Cabo Verde, perdendo população, o capital humano, as dinâmicas e afastando investidores”, sublinhou o professor, durante a apresentação do livro.

Para o autor, não se pode dizer que Santo Antão está em rota de desenvolvimento se está a perder a sua população, considerando que o que se tem notado é que esta ilha está a ter “uma sangria” dos seus habitantes.

Para este docente, “a descentralização política e administrativa em Cabo Verde é uma necessidade urgente”, considerando que “a descentralização é o grande passo que o país tem de dar para consolidar a sua democracia e impulsionar uma nova etapa de desenvolvimento que abarque todas as ilhas”.

Afirmando que todos os Estados modernos optaram pela descentralização, Marco Cruz disse que a governação electrónica não substitui a necessidade de descentralização em Cabo Verde, cujo desenvolvimento tem sido comprometido pelo centralismo.

“Cabo Verde poderia estar, neste momento, com uma dinâmica de desenvolvimento 50 por cento (%) mais, se tivesse outro ecossistema, é preciso que tenhamos coragem de dar este passo e que a descentralização confie nas ilhas”, notou.

Presente no acto de apresentação do livro, a edil do Porto Novo, Elisa Pinheiro, disse que é preciso que se faça “algo urgente” para que Santo Antão possa “ganhar autonomia e capacidade de resposta às necessidades da sua população”.

“A ilha está a ficar esvaziada, perdendo a sua população”, avançou a autarca, mostrando-se preocupada com a tentação de marginalização do poder local em Cabo Verde.

A presidente da Câmara Municipal do Porto Novo voltou a alertar para a competição que tem existido entre os poderes central e local, “o que não é nada saudável”.

Para João Fonseca, que fez a apresentação do livro, esta obra “traz pistas aos governantes” sobre a descentralização, adiantando que “é preciso dar passos efectivos” nesse sentido, para fortalecer a democracia em Cabo Verde.

JM/HF

Inforpress/Fim 

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