Santo Antão: Missão médica dos Países Baixos deixa ganhos clínicos e reforça capacidades no Hospital João Morais

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Santo Antão: Missão médica dos Países Baixos deixa ganhos clínicos e reforça capacidades no Hospital João Morais
06/03/26 - 04:00 pm

Ribeira Grande, 06 Mar (Inforpress) – O director do Hospital Regional João Morais afirmou hoje que o projecto Care for All, desenvolvido desde 2022 com hospitais dos Países Baixos, permitiu reduzir em mais de 50% o número de amputações em Santo Antão.

Em declarações à Inforpress, Nilton Sousa, fez o balanço dos três anos de implementação do projecto, considerando que os resultados alcançados ao longo desse período se traduziram em melhorias concretas na assistência médica, sobretudo em áreas especializadas inexistentes na unidade hospitalar, como a cirurgia vascular ou angiologia.

Nilton Sousa explicou que, antes da implementação do projecto, o hospital registava uma média anual de cerca de 30 amputações.

No entanto, graças ao acompanhamento clínico e às intervenções realizadas no âmbito da cooperação internacional, esse número foi reduzido para apenas dois casos em 2025.

Para o director do Hospital João Morais, estes dados demonstram o impacto directo da iniciativa na vida dos pacientes e na qualidade dos cuidados prestados na ilha.

“Os dados são claros e mostram bem a diferença entre o antes e o depois da implementação do projecto. Houve um impacto social significativo e também uma melhoria na qualidade de vida das pessoas”, sublinhou.

Aquele responsável salientou ainda que o projecto Care for All não se limitou à realização de consultas e procedimentos médicos, tendo igualmente contribuído para o reforço das capacidades institucionais do hospital.

“Foram doados equipamentos e consumíveis médicos, além de terem sido realizadas acções de formação e partilha de conhecimento entre os especialistas estrangeiros e os profissionais de saúde locais”, salientou.

De acordo com Nilton Sousa, este processo de capacitação permitirá que os médicos e enfermeiros do Hospital João Morais continuem a aplicar as competências adquiridas mesmo após o término do projecto.

Apesar dos resultados positivos, o director lamentou o fim da iniciativa, que tinha uma duração contratual de três anos, entretanto prolongada por cerca de três anos e meio.

Ainda assim, Nilton Sousa manifestou esperança na possibilidade de uma nova fase de cooperação com os parceiros internacionais, eventualmente alargando a colaboração a outras especialidades médicas que ainda não existem em Santo Antão.

Por sua vez, a médica Fátima Lima, mentora do projecto, explicou que a iniciativa envolveu deslocações regulares de uma equipa multidisciplinar dos Países Baixos a Santo Antão, com o objectivo de trabalhar em conjunto com médicos e enfermeiros do hospital e promover a troca de experiências.

A mesma fonte reconheceu que foi um trabalho exigente, conciliado com as suas responsabilidades profissionais na Holanda, razão pela qual o projecto chega agora ao fim.

“É com muita pena que finalizamos o projecto, até porque os parceiros na Holanda continuam com vontade de ajudar”, afirmou.

Ainda assim, Fátima Lima não descarta a possibilidade de retomar a iniciativa no futuro, embora admita que, por razões pessoais, poderá não assumir novamente a coordenação directa do projecto.

“Posso até fazer parte, mas terá de haver outra pessoa a organizar. Os resultados demonstram que fomos necessários”, enfatizou.

LFS/ZS

Inforpress/Fim

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