Ribeira em Cima: Água, trabalho, saída de moradores e espaços para crianças entre as preocupações da comunidade

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Ribeira em Cima: Água, trabalho, saída de moradores e espaços para crianças entre as preocupações da comunidade
12/09/26 - 04:43 pm

Assomada, 12 Set (Inforpress) – A falta de água, emprego e espaços para crianças, aliada à emigração e à saída de jovens para Assomada e Praia, está a reduzir a população de Ribeira em Cima, na Ribeira da Barca, Santa Catarina.

Em declarações à Inforpress, os moradores Júlia Furtado, Domingas da Veiga, Larissa Furtado e Diamantino Furtado apontaram a escassez de água e emprego, as dificuldades de acesso e a falta de estruturas para crianças e jovens como os principais problemas da comunidade.

Segundo os moradores, Ribeira em Cima não dispõe de rede de abastecimento de água e as famílias dependem de autotanques, uma solução difícil para quem não tem dinheiro para comprar água regularmente.

A nascente existente na zona já não dispõe de quantidade suficiente para a agricultura como no passado e, embora a água ainda seja utilizada para lavar, limpar e dar de beber aos animais, os entrevistados dizem que não apresenta qualidade adequada para consumo humano.

A distância até à nascente agrava a situação, sobretudo porque muitos dos jovens que anteriormente ajudavam a transportar água já deixaram a comunidade.

Os moradores recordam que Ribeira em Cima já foi uma zona verde, com água e plantações, mas a redução dos recursos hídricos enfraqueceu a agricultura e reduziu a produção.

A falta de trabalho é apontada como outro fator que leva as pessoas a procurar outras paragens, com famílias que dependem actualmente das remessas enviadas por parentes emigrados.

A saída de jovens para Assomada, Praia e outros países tem deixado várias casas vazias ou ocupadas por apenas duas ou três pessoas, sobretudo idosos e netos cujos pais ainda não os levaram para junto deles.

A comunidade enfrenta ainda a falta de um jardim infantil, obrigando os pais a deslocarem-se diariamente até Porto para deixar e buscar as crianças, enquanto os jovens e os mais novos não dispõem de espaços próprios de lazer.

A situação da água, entretanto, não é exclusiva de Ribeira em Cima, uma vez que Ribeira da Barca enfrenta, segundo os entrevistados, cerca de sete meses de falta de abastecimento.

Perante as dificuldades, os moradores pedem maior atenção das autoridades e defendem apoios para pequenas iniciativas económicas, nomeadamente, a criação de porcos para posterior venda, para gerar rendimento e apoiar a permanência das famílias.

Para os residentes, melhorar o acesso à água, criar oportunidades de trabalho, melhorar as vias e disponibilizar estruturas para crianças e jovens são medidas necessárias para recuperar a dinâmica da comunidade.

Os moradores defendem que estas medidas podem ajudar a manter as famílias na comunidade e recuperar parte da dinâmica perdida.

Ribeira em Cima surge, assim, como mais uma das localidades rurais de Santa Catarina onde a emigração, à procura de melhores oportunidades nos centros urbanos, a falta de água, as dificuldades de acesso e a escassez de emprego vão alterando, pouco a pouco, o rosto das comunidades.

DV/HF

Inforpress/Fim

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