Boa Vista: Câmara municipal reconhece “inexperiência” e cancela Festival Praia d’Cruz 2026 por entraves legais e logísticos

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Boa Vista: Câmara municipal reconhece “inexperiência” e cancela Festival Praia d’Cruz 2026 por entraves legais e logísticos
12/09/26 - 04:49 pm

Sal Rei, 12 Set (Inforpress) – A Câmara Municipal da Boa Vista (CMBV) cancelou oficialmente hoje a edição 2026 do Festival Praia d’Cruz, assumindo inexperiência no primeiro concurso público que teve duas impugnações, o que gerou atrasos e entraves logísticos que inviabilizaram os prazos.

A informação foi avançada em conferência de imprensa pela vereadora da Cultura e Turismo, Nádia Santos, frisando que a decisão resulta de um "processo de reflexão da equipa" perante a impossibilidade de garantir os níveis de qualidade exigidos pela magnitude do evento.

Conforme explicou a autarca na sua declaração inicial, para a edição deste ano, prevista para 21 e 22 de Agosto, a autarquia optou, pela primeira vez, por lançar um concurso público para a contratação de serviços de organização do evento, ganho pela empresa Smile Eventos.

No entanto, o processo teve duas impugnações consecutivas apresentadas pela empresa concorrente ZackPro junto da Autoridade Reguladora das Aquisições Públicas (ARAP), o que provocou a suspensão automática dos procedimentos e atrasou “significativamente” o calendário de preparação.

"Enquanto instituição pública, a Câmara Municipal da Boa Vista está obrigada ao estrito cumprimento da legalidade, da transparência e dos princípios da boa gestão", afirmou Nádia Santos, destacando que não seria "prudente, responsável nem legalmente admissível" avançar sem garantias jurídicas.

Questionada sobre o planeamento atempado do concurso, a vereadora acabou por reconhecer a falta de experiência da autarquia neste tipo de procedimento de contratação pública, admitindo que surgiram detalhes que "dificultaram um bocadinho o andamento do processo", mas que encararam a situação como um "grande aprendizado".

Além dos entraves administrativos, a vereadora apontou os "recorrentes constrangimentos no transporte" como outro factor determinante, dada a dificuldade na deslocação a tempo de equipamentos, técnicos e artistas para a ilha.

Nádia Santos afirmou que a CMBV “compreende e lamenta profundamente a frustração” que a medida causa na população, nos agentes culturais e nos operadores económicos da ilha, assegurando que a autarquia vai reavaliar o modelo de organização nos próximos meses para garantir o regresso do Festival Praia d’Cruz em 2027, "reforçado e com todas as condições necessárias".

MGL/HF

Inforpress/Fim

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