
Cidade da Praia, 31 Jul (Inforpress) – O relatório Uso do Tempo e Trabalho Não Remunerado (TNR) 2024 recomenda o reforço das estruturas de apoio às famílias, alargamento das creches e que as políticas de emprego incorporem a dimensão do tempo como variável central.
As recomendações constam do Módulo Uso do Tempo e Trabalho não Remunerado (TNR), 2024, realizados pelo Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) e o Instituto Nacional de Estatística (INE) no âmbito do Inquérito Multiobjectivo Contínuo (IMC) 2024.
Segundo avançou a presidente do ICIEG, Marisa Carvalho, os dados indicam que houve avanços a nível da participação da população, sendo que 84,9% dos cabo-verdianos realizam algum de trabalho, seja não remunerado ou remunerado, mas em relação a qualidade verifica-se que as mulheres continuam a assumir a maior carga de responsabilidade sobretudo dos trabalhos de cuidado e domésticos.
Explicou que desde 2012, altura em que foi feito o primeiro relatório, até agora não houve diferença em cerca de 20 (p.p.) pontos percentuais, ou seja, as mulheres continuam a frente do tipo de trabalho e nos trabalhos domésticos com 90%, e 80%, contra 70% e 60% dos homens.
Apontou que o estudo revelou que a nível dos trabalhos domésticos que não se verificou uma “mudança significativa” daquilo que é a responsabilização e a partilha de trabalhos.
Por outro lado, houve algum avanço e redução de cerca de mais de 50% naquilo que é a carga de trabalho, particularmente das mulheres, onde os homens estão agora a participar mais na corresponsabilização e nas questões dos cuidados, mas não significa que as mulheres tenham diminuído a sua carga de trabalho.
Acrescentou que o relatório indica ainda que logo aos 10 anos há uma desigualdade naquilo que é a sobrecarga de trabalhos e vem aumentando ao longo das faixas etárias e por mais que as mulheres estudem ou que as mulheres tenham um rendimento económico conseguem colmatar essa lacuna.
Na ocasião, realçou a importância desde relatório na criação e reforço de políticas públicas de uma forma mais assertiva, mais incisiva e eliminar todas as barreiras que tem condicionado a participação das mulheres na sociedade, na vida política ou na vida cívica.
Nesse sentido, apontou que as recomendações passam pelo reforço das estruturas de apoio às famílias, sobretudo as mais vulneráveis, das acções de sensibilização e das medidas sobre masculinidade no sentido de haver uma partilha entre as tarefas de cuidados domésticos.
No seu entender, é preciso fazer uma partilha saudável das tarefas para que todos possamos ter as mesmas oportunidades, sendo que este estereótipo de género está ainda muito enraizado na sociedade cabo-verdiana.
Para as famílias mais vulneráveis, o relatório recomenda ainda medidas de reforço das tarifas sociais de acesso à água, de à luz, subsidiação às creches, estruturas de apoio não só de dependentes, mas também uma aposta na formação de cuidadores para que possam também às vezes realizar atividades geradoras de rendimento.
O acto foi presidido pela ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento, Social e Trabalho, Adélsia Almeida e contou com a presença do representante residente do PNUD, UNFPA e Unicef em Cabo Verde, David Matern e do presidente do INE, João de Pina Cardoso.
AV/AA
Inforpress
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