
Mindelo, 05 Fev (Inforpress) – A cidade do Mindelo acolheu a antestreia do documentário sobre rainhas de bateria do Carnaval de São Vicente, “Estrela de Rainha”, que retrata também o que é a sociedade cabo-verdiana, afiançou o director criativo, Éder Xavier.
Numa apresentação para as protagonistas, familiares e convidados, a Unitel Tmais deu a conhecer, no anfiteatro da Faculdade de Educação de Desporto (FaED), as histórias de quatro rainhas de bateria mindelenses.
São elas Jéssica Lopes (Samba Tropical), Leidy Silveira (Flores do Mindelo), Andreia Gomes, também conhecida por Brodjinha (Cruzeiros do Norte) e Milla Diogo (Estrela do Mar).
Uma abordagem mais intimista, conforme adiantou à imprensa o director criativo, Éder Xavier, que “normalmente não é o mais comercial, mas ainda assim inspira”.
“É o lado mais humano do que as pessoas pensam, do carácter, da identidade, mas sobretudo o que nos representa enquanto povo”, explicou Éder Xavier, para quem Cabo Verde tem uma história “muito parecida com o que se vê no documentário”.
Isto porque, na história de vida das quatro rainhas, cada uma retratada em 20 minutos, se pode vislumbrar, segundo a mesma fonte, uma sociedade monoparental, mães solteiras e filhas que cresceram sem pai.
“De pessoas que vivem a história na perspectiva que precisam de força e resiliência, mas ninguém lhe pergunta como você acordou hoje. E o que vimos nessas rainhas é mais ou menos isso”, considerou.
Éder Xavier disse ter escolhido essa perspectiva após um trabalho de campo de quase três meses e que mostrou que as quatro representavam uma amostra do que é o país, em que normalmente a família é o pilar, “mas fica a faltar sempre uma coisa e que normalmente é o pai”.
O documentário, sintetizou, é uma amostra de “pessoas que carregam as duas dores e mágoas, mas encontram no Carnaval o seu escape”, justificou.
Também retrata, segundo Éder Xavier, o íntimo de jovens com projectos de futuro, formação académica superior, famílias constituídas, “mas que as pessoas não veem no Carnaval”.
E é por essa mesma razão que Jéssica Lopes disse ter aceitado participar do documentário, apesar da sua timidez.
“Para mostrar o por detrás da rainha de bateria, porque a rainha de bateria não é só ir aos ensaios e sair no Carnaval. Ela tem a sua vida, tem rotina diária, trabalho, por isso as pessoas têm de dar um desconto, porque é mais alguma coisa que adicionamos ao nosso dia-a-dia”, clarificou.
“Não somente um pedaço de carne que desfila na Rua de Lisboa, mas somos gente”, completou Jéssica Lopes.
Um retrato pessoal e íntimo, que Fatinha do Rosário, do Cruzeiros do Norte, disse ter gostado e que a emocionou.
A estreia oficial de “Estrela de Rainha” acontece na sexta-feira, 06, também na FaED, no Mindelo.
Esta produção está incluída num conjunto de documentários que a Unitel Tmais pretende exibir para mostrar histórias de vida, cultura e tradição cabo-verdianas.
LN/AA
Inforpress/Fim
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