
Santa Maria, ilha do Sal, 29 Jul (Inforpress) – O crescimento do país só será “verdadeiramente inclusivo” se acompanhado por uma protecção efectiva da infância e adolescência contra a exploração e o abuso sexual, declarou hoje, no Sal, a ministra da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social.
Adélsia Almeida discursava na abertura do encontro sobre a protecção da infância contra a exploração sexual no contexto de viagens e turismo, evento organizado no âmbito da Campanha Proteja e que reúne na ilha autoridades nacionais, locais, o Unicef e operadores turísticos.
A governante destacou que o sucesso do turismo, sector que tem na ilha do Sal o seu principal motor, acolhendo quase 60% dos visitantes de Cabo Verde, traz consigo responsabilidades acrescidas na salvaguarda dos mais vulneráveis.
"Não há crescimento económico verdadeiramente inclusivo quando uma única criança continua exposta à violação, ao abandono ou ao abuso no nosso território. Quanto maior for a dinâmica turística e a mobilidade de pessoas, maior deve ser também a nossa capacidade colectiva de proteger crianças e adolescentes", advertiu a ministra.
Para a titular da pasta da Família, os desafios da ilha exigem uma intervenção preventiva, coordenada e multissectorial.
Adélia Almeida apontou ainda a necessidade de consolidar respostas estruturantes, como o reforço de espaços seguros para as crianças no período contra-escolar e a actuação articulada entre as diferentes instituições.
A governante frisou ainda que toda a cadeia do sector privado, incluindo hotéis, agências de viagem, restauração, guias e taxistas, deve actuar como "aliada fundamental na prevenção, identificação e denúncia", apelando à construção de uma cultura nacional de protecção assente no dever cívico e moral de cada cidadão.
Adélia Almeida assegurou que o Governo assumirá a liderança na concretização dos compromissos que saírem da Declaração de Santa Maria, documento final do encontro, e deixou um aviso sobre a urgência de uma acção conjunta entre o Executivo, a autarquia, a sociedade civil e os agentes económicos.
"Os problemas podem ser individuais, mas a salvação é colectiva. Todos somos chamados a agir, sob pena de estarmos a chegar tarde demais", alertou.
Na mesma ocasião, o presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, alinhou com a preocupação da governante, reforçando que a repressão policial e judicial “é insuficiente sem um forte investimento” no pilar social.
O autarca advertiu que a sustentabilidade da ilha depende da protecção dos seus recursos humanos e apelou a maiores investimentos na educação e habitação para garantir a segurança das crianças e a própria continuidade do desenvolvimento económico da região.
O encontro para análise da situação da infância na ilha do Sal tem como objetivo promover uma análise participativa e um espaço de reflexão sobre a problemática, através do diálogo interinstitucional e da mobilização coletiva de todos os atores envolvidos na proteção das crianças na ilha do Sal, região com forte vocação turística.
NA/AA
Inforpress/Fim
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