
Mindelo, 29 Jul (Inforpress) - A UCID defendeu hoje, no Mindelo, que o debate sobre o Estado da Nação deve centrar-se em soluções para os problemas estruturais do país, garantindo que o crescimento económico se traduza em melhorias na vida dos cidadãos.
A posição foi apresentada em conferência de imprensa pela deputada nacional da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID - oposição) Zilda Oliveira, para a antevisão da última sessão parlamentar antes das férias, agendada para 30 e 31 de Julho na Assembleia Nacional, na Praia.
A parlamentar classificou a próxima plenária como uma "sessão atípica", pelo facto de decorrer já sob a vigência de um novo Governo, embora o objecto de análise incida sobre o desempenho e a governação do executivo cessante no último ano.
Segundo Zilda Oliveira, a UCID reconhece os progressos registados pelo país, mas entende que “o Estado da Nação não pode ser medido apenas pelo crescimento do Produto Interno Bruto ou pelo recorde de turistas”.
“Mede-se, sobretudo, pela qualidade de vida das pessoas, pelo poder de compra das famílias, pela confiança dos jovens no futuro, pelo acesso real à saúde, à educação e pela igualdade entre as ilhas”, sustentou Zilda Oliveira.
Para o debate, anunciou que o partido apresentará duas propostas consideradas fundamentais.
A primeira passa por uma maior integração das políticas públicas e a segunda pela construção de políticas de Estado assentes em consensos duradouros.
“O desenvolvimento de Cabo Verde exige uma abordagem transversal e articulada entre os diferentes sectores. É necessário garantir que as políticas como habitação, educação, transportes, saúde e emprego funcionem de forma coordenada e respondam às necessidades reais das famílias”, sublinhou Zilda Oliveira.
Acrescentou ainda que “o país precisa construir consensos duradouros em torno dos grandes desafios nacionais, através de pactos de Estado, que envolvam as diferentes forças políticas e a sociedade civil”, de forma a assegurar continuidade às reformas estruturantes.
Na análise da situação económica, Zilda Oliveira reconheceu o crescimento económico e o desempenho do turismo, mas advertiu para a excessiva dependência deste sector e para a necessidade de diversificar a economia.
Alertou igualmente para os níveis da dívida pública, da pobreza e das desigualdades regionais.
Sobre o orçamento rectificativo, cujo debate deverá ser agendado em regime de urgência pelo novo Governo, a representante democrata-cristã afirmou que a UCID irá analisar a proposta “com sentido de Estado”, mas exigirá rigor e transparência.
“Se as medidas visarem responder às dificuldades reais dos cabo-verdianos, seremos sempre uma força política responsável e dialogante. Se, pelo contrário, servir apenas para aumentar a despesa corrente, expandir a máquina do Estado ou satisfazer interesses políticos ou partidários, não deixaremos de exercer uma oposição firme”, advertiu.
A agenda do último plenário antes do interregno parlamentar prevê ainda a apreciação de matérias de organização interna do parlamento, bem como a definição da composição das representações parlamentares internas e externas.
LN/CP
Inforpress/Fim
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