Mundial2026: Sabores de Cabo Verde à mesa dos Tubarões Azuis nos EUA pelas mãos do chef Lamine Medina (c/áudio)

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Mundial2026: Sabores de Cabo Verde à mesa dos Tubarões Azuis nos EUA pelas mãos do chef Lamine Medina (c/áudio)
21/05/26 - 12:40 pm

*** Por Carina David, da Agência Inforpress ***

Mindelo, 21 Mai (Inforpress) – O chef Lamine Medina promete alimentar o corpo, a alma e o coração dos Tubarões Azuis com sabores tradicionais cabo-verdianos, cachupa incluída, ao longo da Copa do Mundo e, assim, “enfretar os gigantes” do mundo da bola.

Em entrevista à Inforpress, Medina, em vésperas de cumprir o sonho de cozinhar para a selecção nacional, no Mundial de futebol, lembrou que em criança queria ser guarda-redes e chegar à selecção nacional, mas que o destino lhe reservou a missão, “igualmente importante”, de preparar a alimentação dos Tubarões Azuis, como é conhecida a selecção nacional.

Após comandar a alimentação de Cabo Verde no Campeonato Africano das Nações (CAN) em futebol, na Costa do Marfim, em 2024, Lamine Medina promete para o Mundial2026 um cardápio assente em produtos frescos, proteína limpa, frutas e hortaliças, mas sempre “temperado com identidade crioula e memória afectiva

“Vamos privilegiar o que sempre fazemos. Produtos de primeira qualidade, muito frango, peixe fresco, hortaliças, arroz, massa, hidratos bons e muita fruta fresca”, explicou, revelando que toda a preparação alimentar vem sendo “cuidadosamente desenhada” há já algum tempo, seguindo protocolos nutricionais rigorosos.

Mas no meio das exigências físicas de um Mundial, haverá sempre espaço para o prato que une gerações e faz qualquer cabo-verdiano se sentir em casa: a cachupa.

“Vai ter de certeza cachupa”, garantiu Lamine Medina, assegurando que o prato tradicional recebeu luz verde do departamento de nutrição e da equipa médica.

Mais do que alimento, a cachupa será, conforme revelou, o conforto emocional, o abraço distante e a ligação às raízes nos momentos de descanso da equipa.

“Cachupa fará parte nos momentos de relaxamento, que é um momento em que os jogadores se sentem mais próximos de casa”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de levar peixe fresco de Cabo Verde para os Estados Unidos, explicou que “as rigorosas restrições norte-americanas dificultam esse transporte”, apesar das “permissões especiais” concedidas pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) para que as selecções “elaborem uma lista de produtos para levar”.

Ainda assim, assegurou que a essência de Cabo Verde seguirá viagem com a selecção.

“Vamos levar esse espírito, essa vontade de visitar o mercado de peixe e o mercado de verdura. Vamos levar aquela energia connosco na nossa maleta, de certeza”, assegurou.

Para o chef Lamine Medina, a força dos ‘Tubarões Azuis’ nasce tanto da comida como do carinho do povo cabo-verdiano, que a selecção tem sentido nas ruas do Mindelo antes da partida rumo ao Mundial.

“Tem mesmo que ter força da comida, mas também precisam da força do suporte. E isso sente-se quando andamos na rua. Todo o lado onde temos ido sentimos essa energia. A selecção nunca entra em campo sozinha”, disse.

E será assim, entre o cheiro da cachupa, o sabor do peixe fresco e a energia das ilhas, que Cabo Verde também se sentará à mesa do Mundial2026.

Segundo Lamine Medina, o talento para cozinhar, nasceu ainda menino, quando seguia os passos das avós pela cozinha, curioso como quem procurava descobrir o mundo através dos sabores e temperos.

O destino começou então a desenhar-se entre o calor do fogão e o brilho dos olhos de criança, quando o pai passou a trabalhar ligado a um hotel, onde Lamine Medina encontrou naquele universo o seu verdadeiro lugar.

Até que um dia disse que queria ser cozinheiro e a vida abriu-lhe o caminho.

Primeiro foi para a Alemanha onde foi fazer uma formação, depois Portugal, onde se formou em chef de cozinha e consolidou o talento que já lhe corria nas veias.

Dali em diante, Lamine Medina nunca mais largou a paixão que o guiava.

Passou por Angola, espalhou o seu saber em diferentes cozinhas do mundo, ergueu o próprio negócio no Mindelo e fez da gastronomia um mapa sem fronteiras.

E hoje, olhando para os Tubarões Azuis e para a esperança de um povo inteiro, acredita que o tempo certo chegou.

Vê uma selecção jovem, “faminta de conquistas”, pronta para “honrar o país e transformar sonhos em memória eterna”.

CD/HF

Inforpress/Fim

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