
Cidade da Praia, 21 Mai (Inforpress) - A presidente da Alta Autoridade para a Imigração defendeu hoje a busca de coerência no acolhimento aos imigrantes, sublinhando que Cabo Verde deve acolher as comunidades estrangeiras da mesma forma que espera que cabo-verdianos sejam tratados na diáspora.
Esta consideração foi feita à Inforpress, no âmbito do Dia Internacional da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, que hoje se assinala.
Segundo realçou Carmem Barros, a diversidade cultural resulta da convivência da pluralidade, do diferente, nomeadamente de culturas, nacionalidades, línguas, religiões, de entre outras.
Cabo Verde, afirmou, é um país fortemente marcado pela emigração, com comunidades cabo-verdianas espalhadas por todos os continentes, para quem o país deve acolher do mesmo modo que gostaria que os cabo-verdianos fossem tratados, quando se entender que a diversidade cultural enriquece outros países.
“Portanto, nós também, enquanto um povo que parte, temos esse desafio da coerência, de poder receber bem, de saber gerir as comunidades que chegam a Cabo Verde, de poder, na verdade, beneficiar do potencial que eles trazem a nível cultural, a nível económico, a nível social”, disse.
Baseando nos indicadores disponíveis relativamente ao sentimento de integração dos migrantes, o seu grau de satisfação quanto à sua permanência na sociedade cabo-verdiana, afirmou que os indicadores são positivos.
Conforme referiu, os dados mostram taxas de satisfação superiores a 70 por cento entre diferentes nacionalidades, o que indica, realçou, uma percepção favorável da experiência migratória no país.
Reconheceu, entretanto, a existência de sentimentos de discriminação em alguns grupos, de acordo com a origem dos imigrantes.
“É natural algum choque acontecer e percebemos que além do sentimento de integração, existe um sentimento também de discriminação, que é variável entre os grupos”, afirmou aquela responsável, indicando que os imigrantes oriundos de outros países africanos, nomeadamente da sub-região da África Ocidental apresentam níveis mais elevados de percepção de discriminação, sendo também o grupo maioritário no país.
Admitiu ainda que persistem outros desafios relacionados com a integração, nomeadamente no acesso ao mercado de trabalho e a serviços, bem como dificuldades ligadas à língua e à regularização documental.
Carmem Barros defendeu igualmente que o aumento de imigrantes recém-chegados, sobretudo jovens, exige maior capacidade de resposta institucional para garantir informação e apoio à integração.
A responsável pela Alta Autoridade para a Imigração também salientou o contributo dos imigrantes para vários sectores de actividade, ressaltando que os últimos dados, apontam que a imigração tenha contribuído entre 3,5% e 4,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Para a dirigente, estes dados reforçam a ideia de que a imigração deve ser encarada como um recurso estratégico para o desenvolvimento do país, com impactos que vão além da dimensão económica, abrangendo também a diversidade cultural e social.
O Dia Internacional da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento foi declarado pelas Nações Unidas em 2002, após a aprovação pela Unesco da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural de 2001, que reconhece a necessidade de se aumentar o potencial da cultura como meio de alcançar prosperidade, desenvolvimento sustentável e coexistência pacífica mundial.
ET/ZS
Inforpress/Fim
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