
Porto Inglês, 05 Fev (Inforpress) – Pescadores artesanais ouvidos pela Inforpress, na ilha do Maio, alertam para a redução do pescado nos últimos anos e dizem-se sufocados pela presença de embarcações de pesca industrial estrangeira, situação que tem criado dificuldades para a classe.
Entre os testemunhos está o de Benvindo Rosa, conhecido por Toy, 66 anos, pescador há 48 anos, cuja vida se confunde com o mar.
Foi através da pesca artesanal que sustentou a família e garantiu a educação dos cinco filhos, num percurso marcado por trabalho árduo e dedicação.
Benvindo recorda tempos de maior abundância de peixe na ilha do Maio, sublinhando que a realidade atual é bem diferente.
“Já chegámos a apanhar mais de 200 quilos de atum por dia, mas hoje é quase impossível conseguir uma quantidade semelhante. Os barcos estrangeiros têm levado tudo”, lamentou.
Além da diminuição do pescado, o pescador apontou a escassez de isco como uma das grandes dificuldades enfrentadas atualmente pelos profissionais da pesca artesanal na ilha.
Outro pescador, Rudy Garcia, 36 anos, com 23 de experiência na actividade, partilhou da mesma preocupação, lembrando os tempos em que o Maio registava “grande disponibilidade de pescado”.
Segundo afirmou, o “excesso de apanha” por parte de grandes embarcações industriais tem limitado significativamente a pesca artesanal e afetado o rendimento das famílias que dependem do setor.
A ilha do Maio é tradicionalmente reconhecida como uma ilha de pescadores, onde a pesca constitui uma das principais atividades económicas e uma forte marca identitária da população.
Ao longo de gerações, o mar tem garantido o sustento de inúmeras famílias, moldando modos de vida, saberes e práticas culturais profundamente enraizadas na comunidade.
A pesca artesanal, em particular, assume um papel central na economia local, no abastecimento alimentar e na preservação de conhecimentos transmitidos de pais para filhos, fazendo do Maio uma referência nacional no setor das pescas.
No Dia Nacional do Pescador, celebrado hoje, os profissionais defendem maior valorização da classe e políticas que protejam a pesca artesanal, essencial para a economia e identidade da ilha do Maio.
RL/AA
Inforpress / Fim
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