Infância/Protecção: Práticas sociais podem contribuir para a normalização de abusos sexuais contra crianças – coordenadora

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Infância/Protecção: Práticas sociais podem contribuir para a normalização de abusos sexuais contra crianças – coordenadora
31/10/26 - 02:40 pm

Cidade da Praia, 31 Out (Inforpress) – A representante da coordenação do movimento cívico “Nos Criança, Nos Futuro” aconselhou hoje para a necessidade de questionar comportamentos socialmente aceites entre adultos e crianças, respeitar limites corporais dos menores e combater o silêncio sobre abusos sexuais.

Em declarações à Inforpress, Neliciete Tavares considerou que a prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes deve começar pela educação, sobretudo no ambiente familiar, onde determinadas práticas são frequentemente justificadas pelos laços de parentesco ou proximidade.

Segundo disse, é necessário ensinar às crianças que têm direito a estabelecer limites sobre o próprio corpo, independentemente da relação que tenham com a pessoa adulta.

“Temos de alertar as nossas crianças que um beijinho na boca ou na bochecha não é uma coisa que se faz com toda a gente. Laço familiar não é motivo para se estar a dar beijinho na boca, nem para se estar a sentar no colo”, afirmou.

Para Neliciete Tavares, é necessário questionar comportamentos que, embora sejam encarados por algumas famílias como manifestações de afecto ou respeito, podem desconsiderar a vontade e os limites da criança.

A coordenadora chamou igualmente a atenção para a dificuldade de reconhecer determinadas abordagens abusivas, sobretudo quando estas começam com comentários aparentemente elogiosos ou atitudes que podem ser confundidas com manifestações de carinho.

Na sua perspectiva, é importante capacitar crianças e adolescentes para identificarem situações de assédio, aliciamento e exploração sexual, incluindo no ambiente digital, e saberem a quem recorrer quando se sentirem ameaçados.

Exortou ainda para o silêncio que envolve muitos casos de violência sexual e considerou preocupante que apesar de determinadas situações serem conhecidas em alguns círculos sociais poucas pessoas se disponibilizem para denunciar.

Tavares considerou que a sociedade precisa de assumir uma posição mais activa perante estas situações, deixando de proteger ou encobrir alegados agressores e colocando a segurança das crianças no centro das preocupações.

O movimento pretende, neste sentido, mobilizar professores, psicólogos, juristas e outros profissionais com competências técnicas para desenvolver acções de sensibilização nas escolas e nas comunidades.

A iniciativa “Nos Criança, Nos Futuro”, promovida por jovens cabo-verdianos das ilhas e da diáspora, surgiu na sequência dos casos de exploração sexual de menores revelados pela Operação Aurora, na ilha do Sal, e pretende reforçar a consciencialização, a capacitação e a mobilização social em defesa da infância.

Para a coordenadora, a mudança exige que famílias, escolas e comunidades deixem de encarar a protecção da infância como uma responsabilidade exclusiva das instituições e assumam um compromisso colectivo na prevenção e denúncia de situações de violência.

KA/AA

Inforpress/Fim

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