
São Filipe, 31 Out (Inforpress) – O proprietário de cavalos Luís Barbosa, conhecido por Lezito, defendeu hoje a necessidade de um recuo na organização do hipismo em Cabo Verde, para corrigir deficiências estruturais e criar bases sólidas para o desenvolvimento sustentável das corridas.
Em declarações à imprensa no final da conferência nacional sobre os desafios da regulação do bem-estar animal em Cabo Verde, com enfoque na criação e utilização desportiva de equinos, realizada na ilha do Fogo, Lezito considerou a iniciativa “extremamente pertinente”, sobretudo por permitir debater problemas recorrentes nas corridas de cavalos, como a falta de regulamentação e as situações relacionadas com a morte de animais.
O proprietário, que se deslocou da cidade da Praia para participar no encontro, juntamente com um colega da associação CV Galope, destacou a importância da presença de um especialista espanhol em medicina equina, particularmente nas áreas de ortopedia e lesões.
Segundo explicou, os participantes foram divididos em grupos para identificar os principais problemas do sector, apresentar propostas de solução e estabelecer prioridades, uma vez que nem todas as dificuldades podem ser resolvidas simultaneamente.
Na sua avaliação, Cabo Verde deu um salto significativo no desenvolvimento das corridas de cavalos, nomeadamente, com a importação de animais de grande porte e elevado valor, sem preparar devidamente as condições de suporte, desde a assistência veterinária especializada às pistas de corrida e aos meios de transporte dos equinos.
“Talvez tenhamos dado um passo um bocadinho grande e agora seja conveniente arrepiar caminho um pouco, para organizar e projectar um futuro melhor”, observou, esclarecendo que o recuo defendido não significa abandonar as corridas, mas reorganizar as estruturas e melhorar as condições de segurança e bem-estar animal.
Lezito apontou ainda a necessidade de criar um quadro legal assente em três estruturas: associações hípicas regionais formalmente constituídas, uma federação nacional responsável pela coordenação do sector e uma entidade específica para regulamentar as corridas, garantindo regras uniformes em todas as ilhas.
Defendeu, igualmente, a definição de procedimentos antidopagem, incluindo recolha de amostras de sangue, envio para laboratórios especializados e estabelecimento de consequências legais em caso de resultados positivos.
O proprietário, que deixou de criar cavalos há cerca de sete ou oito anos, apontou a falta de regulamentação, os conflitos e a desorganização como alguns dos motivos que contribuíram para o seu afastamento, mas acredita que os objectivos traçados na conferência poderão abrir caminho a uma nova dinâmica no sector.
JR/HF
Inforpress/Fim
Partilhar