
Banguecoque, 16 Out (Inforpress) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje que a manutenção da estabilidade macroeconómica, o reforço da disciplina orçamental e o avanço de reformas estruturais serão determinantes para sustentar o crescimento da economia brasileira nos próximos anos.
As mais recentes projeções do FMI apontam para que o Brasil recupere a posição de oitava maior economia do mundo em 2027, ultrapassando a Itália e a Rússia em termos de produto interno bruto (PIB) nominal, com a economia brasileira a atingir 2,79 biliões de dólares (2,38 biliões de euros) nesse ano.
As projeções apontam ainda para que a economia brasileira mantenha a oitava posição nos anos seguintes, atingindo 3,39 biliões de dólares (2,89 biliões de euros) em 2031.
Em resposta a perguntas da Lusa, a diretora-adjunta do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Ana Corbacho, destacou que o país tem beneficiado de fatores que ajudaram a amortecer os efeitos da incerteza global.
“A economia brasileira manteve-se bastante resiliente apesar de enfrentar múltiplos choques”, afirmou Corbacho durante a apresentação das perspetivas económicas regionais para o Hemisfério Ocidental.
A responsável reconheceu, contudo, que "subsistem riscos importantes", sobretudo associados à incerteza global que continua a afetar as economias emergentes, e defendeu que o Brasil deverá manter o foco na estabilidade macroeconómica para sustentar o crescimento nos próximos anos.
“As economias de mercado precisam de continuar a reforçar os esforços fiscais”, afirmou, argumentando que a consolidação orçamental continua a ser uma prioridade para enfrentar um contexto internacional marcado por elevada incerteza.
Apesar da subida prevista no ranking mundial, o Fundo continua a antecipar um abrandamento da economia real do Brasil. O crescimento deverá desacelerar de 2,3% em 2025 para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, refletindo condições monetárias ainda restritivas destinadas a trazer a inflação de volta à meta.
A inflação deverá recuar gradualmente de 5% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027, enquanto a taxa de desemprego deverá aumentar de 6% para 6,2% e 6,8%, respetivamente. As projeções apontam igualmente para uma melhoria das contas externas, com o défice da balança corrente a diminuir de 2,9% do PIB em 2025 para 2,4% em 2026 e 2% em 2027.
Segundo a economista, uma das vantagens do Brasil tem sido a sua condição de exportador líquido de petróleo, "beneficiando da evolução favorável dos preços das matérias-primas, bem como de uma matriz elétrica relativamente limpa" assente em fontes de energia renovável.
A representante do FMI prevê também uma desaceleração da atividade económica em 2026 e 2027, processo que "contribuirá, em parte, para o processo de desinflação, o que é muito importante”.
“Estamos mais otimistas em relação ao médio prazo, com reformas estruturais a ajudarem a fortalecer o crescimento para cerca de 2,5%”, disse, acrescentando que as economias da região devem “avançar com reformas estruturais para elevar a produtividade”.
Num comentário mais abrangente sobre a América Latina, o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Nigel Chalk, considerou que a região está a atravessar uma "mudança significativa na orientação das políticas económicas", com vários países a adotarem abordagens mais conservadoras em matéria orçamental e mais orientadas para o mercado.
Segundo Chalk, esta evolução reflete tanto a necessidade de estabilizar as economias através de uma maior disciplina fiscal como um contexto internacional “muito mais complexo, mais difícil e mais propenso a choques” do que no passado.
Apesar disso, Chalk admitiu preocupação com o crescimento modesto da América Latina, que o FMI estima em cerca de 2,25% este ano e no próximo.
Segundo o economista, a região dispõe de recursos naturais abundantes, uma população numerosa, sistemas educativos relativamente sólidos e uma forte cultura empreendedora, características que deveriam traduzir-se em taxas de crescimento mais elevadas.
“O que distingue a América Latina de outras regiões emergentes, incluindo a Ásia, é a dificuldade em aumentar a produtividade”, observou.
“Vemos aqui na Ásia que os países que realizaram essas reformas estão a crescer mais rapidamente, os padrões de vida estão a subir e esses países estão a convergir para os níveis de rendimento das economias avançadas”, afirmou.
Inforpress/Lusa
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