
Lisboa, 19 Fev (Inforpress) – A Quinzena Cultural da DALMACV-PT arrancou hoje em Lisboa (Portugal) com uma mesa-redonda sobre a língua cabo-verdiana, evento que serviu para comemorar antecipadamente o Dia Internacional da Língua Materna, celebrado anualmente a 21 de fevereiro.
A iniciativa, que decorrerá durante os meses de Fevereiro, Março, Outubro e Novembro, é promovida pela Delegação da Associação da Língua Materna Cabo-verdiana em Portugal (DALMACV-PT), em parceria com a Associação Cabo-verdiana de Lisboa (ACV), a editora Rosa de Porcelana, o grupo de recital de poesia Tapoé e o grupo coral Voz Terra.
Em debate estiveram os temas “O duplo Estatuto Constitucional da Língua Cabo-verdiana e a controversa questão da inconstitucionalidade do ALUPEC (Alfabeto Unificado para a Escrita do Cabo-verdiano)” e “Um manual para as tartarugas de Santa Luzia: a ilegalidade da escrita pandialectal”, com oradores José Luís Hopffer Almada e José Craveiro, respetivamente.
Em declarações à Inforpress, José Luís Hopffer Almada, que é também coordenador do Conselho Executivo da ALMA-CV em Portugal, explicou que a iniciativa, denominada “Quinzena da Literatura, da Escrita, da Oratura e da Cultura em Língua Cabo-verdiana”, pretende abranger todas as expressões da língua materna, tanto no código escrito como oral.
Segundo o responsável, a programação contempla manifestações culturais na música, literatura e tradições orais, valorizando desde as finadeiras e cantoras modernas até os novos escritores e a tradição literária cabo-verdiana em língua cabo-verdiana.
“O crioulo foi primeiramente língua de escravos e dos seus descendentes e, depois, foi-se disseminando para as classes dominantes brancas da época. Passou de língua de escravos para língua de identidade nacional de todos os cabo-verdianos”, afirmou.
Para o escritor e ensaísta cabo-verdiano, o que está em causa neste momento é a plena oficialização da língua cabo-verdiana, salientando, no entanto, a necessidade de o Estado criar as condições para que ela seja efetivamente adotada como língua oficial, utilizada pelas entidades públicas, no Boletim Oficial e ensinada no ensino oficial e privado.
“A luta actual deve ser pela paridade oficial entre a língua portuguesa e a língua cabo-verdiana, mas de forma realista. Apesar de todos os estudos e instrumentos pedagógicos existentes, ainda não existem condições para um estatuto efetivamente equivalente ao da língua portuguesa”, defendeu.
Daí, insistiu que o Estado deve continuar a criar as condições para que esse estatuto seja atingido e para se ultrapassar a situação de desequilíbrio que os sociolinguistas denominam diglossia.
Na ocasião, o crítico literário destacou o contributo dos escritores e criadores na valorização da língua cabo-verdiana, lembrando que a maioria é bilíngue e que as letras das músicas são quase exclusivamente em língua cabo-verdiana.
A segunda edição da Quinzena Cultural da DALMACV-PT, que decorreu nas instalações da ACV, foi antecedida por um recital de poesia contemporânea em língua materna cabo-verdiana, com novos poetas cabo-verdianos, organizado por Rapazin di Munisa.
FM/JMV
Inforpress
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