
Sal-Rei, 17 Jun (Inforpress) – A produção pesqueira mundial atingiu o recorde de 235 milhões de toneladas em 2024, de acordo com o relatório SOFIA2026 da FAO, que alerta para “grandes desigualdades” entre regiões e para o rápido crescimento da população em África.
O documento, publicado pela FAO na terça-feira 16, indica que a aquicultura é considerada o motor dos sistemas alimentares aquáticos, superando pela primeira vez as 100 milhões de toneladas na produção de animais aquáticos, 60% do total global.
A actividade está concentrada maiormente na Ásia, que detém 89% da produção mundial, com os sistemas de água doce liderando com 63% cultivo.
Por sua vez, a pesca de captura estabilizou nas 92 milhões de toneladas, mantendo a tendência observada desde os anos 80.
Com a pesca marinha assegurando 80 milhões de toneladas, enquanto as águas continentais atingiram o recorde de 12,3 milhões de toneladas, sendo vitais para a segurança alimentar de várias nações.
Contudo, o relatório referiu uma preocupação com a sustentabilidade biológica das populações de peixes marinhos, que recuou para os 62,4% em 2023.
O volume de desembarques, 72,6% do peixe capturado mundialmente, provém de populações de peixes geridas de forma sustentável.
África regista a menor disponibilidade por habitante de alimentos aquáticos do mundo, com apenas 09 quilogramas por pessoa ao ano.
No entanto, estes produtos representam 19% do consumo de proteínas animais do continente, a segunda maior proporção global.
A nível comercial, o continente apresenta um cenário duplo, tem um défice de 01 milhão de toneladas em volume, mas apresenta um superávit financeiro de 2 mil milhões de dólares e um ganho líquido de 126 mil toneladas de proteínas.
Ou seja, compra mais toneladas de peixe do que as que vende, e ganha em dinheiro, isto devido à estratégia de exportar espécies de alto valor comercial e importar pescado de menor custo, mas rico em nutrientes.
Internamente, as águas continentais garantem 28% da produção africana e 54% do emprego no setor primário da pesca, liderada por Uganda, Tanzânia e Nigéria. E na aquicultura, o Egito é o líder com 1,6 milhões de toneladas.
Para 2034, a FAO projeta que a produção mundial de animais aquáticos alcance as 214 milhões de toneladas, elevando o consumo médio global para 21,9 kg per capita.
Contudo, deixa um aviso a África, de que embora se prevê o crescimento do fornecimento ao continente a 18%, o acelerado aumento populacional deverá superar a oferta, reduzindo a disponibilidade real de peixe por habitante caso não existam reformas urgentes.
MGL/AA
Inforpress/Fim
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