
Santa Maria, 17 de Jun (Inforpress) – A ilha do Sal transforma-se, a partir de hoje, na capital do teatro cabo-verdiano, com o arranque da 14.ª edição do SalEnCena, evento que, este ano, homenageia a Associação Artística e Cultural Mindelact.
O festival, que decorre até ao próximo dia 21, descentraliza, este ano, as suas actividades até à Cadeia Central da ilha, é considerado o único festival nacional de teatro do país e o segundo maior evento cénico de Cabo Verde (atrás apenas do Mindelact).
Co-organizado pela Associação Cultural e Teatral Djadsal, Associação Teatro Margoz e pela Musgo Produção Cultural, sob o lema "Teatro Sabim na Dja d’Sul", a presente edição assume-se como um “verdadeiro serviço público e uma ferramenta de transformação social”, pretendendo mitigar o déficit de oferta cultural no arquipélago.
De acordo com o programa oficial a que a Inforpress teve acesso, o certame arranca, formalmente, ao início da noite de hoje, na Kasa d’Arte, com a instalação performativa “O Voltejar de Borboletas”, uma criação do artista Benito Lopes, de São Vicente, que propõe uma reflexão estética sobre o conceito de beleza.
Segue-se a sessão solene de abertura no espaço Sal Kb by Chefs Cabo Verde, que contará com a presença de autoridades municipais, patrocinadores e agentes culturais.
O momento alto da cerimónia será a atribuição de um diploma de mérito à Associação Mindelact, representada pelo seu presidente, o encenador e dramaturgo Yannick Fortes, em reconhecimento pelo seu papel inspirador nas artes cénicas do país.
O primeiro dia encerra com a tertúlia literária e noite de poesia “Litorânea”, promovida pela Musgo Produção Cultural.
Uma das grandes marcas de inovação desta 14.ª edição reside na diversificação e descentralização dos palcos.
Pela primeira vez, a Cadeia Central do Sal acolherá apresentações artísticas e acções formativas.
O encenador português Nuno Cardoso dinamizará, no estabelecimento prisional, o espaço lúdico “A Nossa Vida”, baseado em experiências reais, enquanto o criador Djam Neguin orientará a oficina-laboratório de investigação corporal “Re-Rutz”.
Segundo os organizadores, a iniciativa visa consolidar o festival como um modelo de boas práticas de reinserção social através das artes cénicas.
Ao nível da representatividade nacional, o SalEnCena 2026 volta a “encurtar” as distâncias inter ilhas, trazendo criadores de várias geografias do país, com destaque para o regresso da ilha do Maio, após anos de ausência, representada por Mário Tavares com a peça histórica "Nha Kansera ka Tem Midida".
Estão também garantidas produções e artistas de Santiago, de São Vicente, da Boa Vista e da diáspora cabo-verdiana, além de parcerias e intercâmbios internacionais com companhias vindas de Portugal e de Espanha (Canárias).
Paralelamente aos palcos convencionais, como o Salão "Os Claridosos" no Hotel Odjo d’Água ou o Centro Paroquial de Espargos, o festival mantém o projecto “Djadsal Storia”, que levará contadores de histórias às instituições de ensino e às comunidades de Palmeira e Pedra de Lume, promovendo a salvaguarda da tradição oral junto das crianças.
No domingo, o encerramento do evento contará com o espectáculo circense "Artatrak", na cidade de Santa Maria, e a peça "Luzia – A Estrangeira", uma releitura contemporânea de Medeia, transposta para a realidade socioeconómica e turística do Sal.
A organização reitera que, mesmo diante dos conhecidos constrangimentos financeiros e de mobilidade que afectam o sector, no país, o SalEnCena mantém-se firme no seu propósito de formar públicos e qualificar tecnicamente os fazedores de teatro em Cabo Verde.
NA/HF
Inforpress/Fim
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