Cidade Velha, 16 Out (Inforpress) - A escritora e contadora de histórias são-tomense Olinda Beja sublinhou hoje, na Cidade Velha, a importância de promover a tradição oral nas escolas e bibliotecas para despertar o interesse dos jovens e preservar a identidade cultural africana.
Em declarações à Inforpress, à margem da primeira edição do Festival Internacional de Contos, que decorre até domingo, Olinda Beja considerou que a transmissão das histórias tradicionais às novas gerações é fundamental para manter vivas a cultura, as memórias e as tradições dos povos.
“Um povo sem cultura é um povo sem alma. Se perdermos a nossa cultura, perdemos tudo”, afirmou, salientando a importância de criar oportunidades para os jovens conhecerem as histórias dos seus antepassados, num contexto em que as tecnologias digitais ocupam cada vez mais espaço no quotidiano.
Para a escritora, as escolas constituem um dos principais espaços para aproximar os mais novos da tradição oral, através de encontros com contadores de histórias e atividades que lhes permitam conhecer as narrativas transmitidas de geração em geração.
“Temos que pegar naqueles que ainda estão vivos, como é o meu caso e o dos contadores que aí estão, e levá-los pelas escolas, sobretudo pelas escolas”, sublinhou, defendendo igualmente a realização de iniciativas nas bibliotecas.
Com uma experiência de cerca de 40 anos como professora, em Portugal e na Suíça, Olinda Beja considerou que é necessário encontrar estratégias para motivar os jovens a participar nessas actividades, lembrando que, durante a sua carreira, recorreu a incentivos para despertar a curiosidade dos alunos pela aprendizagem.
Olinda Beja salientou ainda os laços históricos e culturais entre Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, particularmente ligados à deslocação de trabalhadores cabo-verdianos para as roças são-tomenses, defendendo que esse passado deve ser conhecido pelas novas gerações.
Na sua perspectiva, as histórias tradicionais também permitem abordar as experiências dolorosas dos antepassados e compreender as ligações familiares e afectivas entre os dois países.
“Por vezes, cometemos um erro. Tentamos esquecer o passado e tentamos não falar dele, mas temos que falar, para que os jovens amem também aquilo que se passou”, afirmou.
Segundo Olinda Beja, a participação no festival representa uma oportunidade para reforçar o intercâmbio cultural entre os países participantes e valorizar as histórias que fazem parte da memória coletiva dos seus povos.
Por sua vez, a aluna Dara Almeida, considerou que a actividade permite aprender novas histórias e aproximar os jovens da cultura, defendendo que eventos do género devem realizar-se mais vezes.
Também a aluna Carla Tavares frisou a importância de transmitir os contos tradicionais desde cedo, para que as novas gerações possam conhecer e preservar as suas raízes culturais.
Promovido pela Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago e pela RJ ANIMA – Associação de Dinamização Ambiental, Social e Cultural, o primeiro Festival Internacional de Contos reúne contadores de histórias, artistas, educadores e mediadores culturais de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil, Moçambique, Angola, Timor-Leste e Portugal, com o objectivo de promover o intercâmbio cultural e valorizar a tradição oral enquanto património vivo.
CG/CP
Inforpress/Fim
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