
Espargos, 21 Mai (Inforpress) – A ilha do Sal vestiu-se hoje de festa para receber os Tubarões Azuis, em digressão nacional antes da “inédita e histórica estreia” no Campeonato do Mundo de Futebol, a disputar-se nos Estados Unidos, México e Canadá.
A receção oficial teve lugar no Salão Nobre da Câmara Municipal do Sal e reuniu o executivo camarário, vereadores, antigos selecionadores, ex-jogadores internacionais e funcionários autárquicos.
A atmosfera foi dominada por uma forte carga emotiva e discursos de exaltação do orgulho nacional.
O vice-presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), Paulo Santos, por exemplo, sublinhou que o grande propósito desta rota é fazer com que os atletas sintam, de perto, o pulsar e o carinho do povo cabo-verdiano antes do embarque para a alta competição.
“A Rota dos Tubarões Azuis é precisamente para os jogadores possam sentir a vibração do povo cabo-verdiano, sentirem o que devem levar e a responsabilidade que têm de carregar uma nação atrás deles, ontem em São Vicente foi fantástico, hoje no Sal foi espetacular”, declarou o dirigente.
Paulo Santos aproveitou o momento para lançar um repto direto à autarquia local no sentido de continuar a investir nas infraestruturas desportivas da ilha, nomeadamente no Estádio Marcelo Leitão, por forma a que, a curto prazo, o Sal possa estar habilitado a receber jogos oficiais da seleção principal.
Por sua vez, o capitão da selecção nacional, Ryan Mendes, que falou em representação de todo o plantel e do staff, expressou “profunda gratidão” pela moldura humana encontrada e assumiu que esta aproximação às diferentes ilhas era um desejo antigo do grupo.
O capitão afirmou que a FCF está a trabalhar para que as ilhas que ficaram de fora dessa rota venham a ser contempladas em outras paragens da seleção.
O selecionador nacional, Bubista, secundou as palavras do capitão e enalteceu o Sal como uma “ilha do desporto”, recordada por albergar atletas da presente convocatória, mas também por já ter dado ao país campeões do mundo noutras disciplinas desportivas.
Do lado da autarquia, o presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, considerou que este feito ultrapassa as quatro linhas e “toca diretamente as fibras mais sensíveis” da história da nação cabo-verdiana.
“Pela primeira vez na história destes grãozinhos de terra, que há mapas que nem sequer incluem, a nossa seleção nacional vai participar numa Copa do Mundo. Quantas gerações sonharam com este dia? Quantos pais contaram este sonho aos filhos? Este dia chegou”, enfatizou o autarca.
Júlio Lopes afirmou que Cabo Verde é um país pequeno geograficamente, mas dotado de “um coração de gigante”.
O programa da comitiva nacional na ilha do Sal contempla ainda, no período da tarde, um treino aberto ao público, permitindo a interação direta dos adeptos salenses e, em particular das crianças, com os internacionais cabo-verdianos.
NA/AA
Inforpress/Fim
Partilhar