
Porto Inglês, 06 Ago (Inforpress) – O empresário Cláudio Buetto acusou hoje a empresa Águas e Energia do Maio (AEM) de lhe retirar o fornecimento diário de água ao hotel que gere na localidade de Morro, alegando prejuízos para o estabelecimento hoteleiro.
Em declarações à Inforpress, o empresário afirmou que o hotel beneficiava de abastecimento diário e contínuo através da rede pública, mas que, nos últimos tempos, passou a estar sujeito ao calendário normal de distribuição de água da AEM.
“O abastecimento de água atual não tem sido suficiente para o funcionamento do hotel, tanto é que despedimos funcionários e estamos encerrados até que a situação se resolva e tenhamos condições para prestar um bom serviço aos hóspedes”, afirmou.
Segundo Cláudio Buetto, um empreendimento hoteleiro tem necessidades de consumo diferentes das de uma habitação, acrescentando que, apesar de o hotel dispor de capacidade de armazenamento, esta não é suficiente para responder à procura dos clientes.
O empresário considera ainda que situações desta natureza desmotivam os investidores que apostam no desenvolvimento do turismo e da economia da ilha do Maio e revelou ter solicitado ao Ministério Público a investigação do caso.
Contactada pela Inforpress, a administradora da AEM, Claudina Ramos, esclareceu que a ligação permanente de água ao hotel estava a provocar constrangimentos no abastecimento de outras localidades da ilha, razão pela qual a empresa optou por integrar o empreendimento no plano geral de distribuição.
“Um serviço público deve ser gerido com base nos princípios da igualdade, da imparcialidade e do interesse coletivo, e não através da atribuição de privilégios ou tratamentos de exceção, como determina o Código de Água e Saneamento”, afirmou, destacando que a localidade de Morro dispõe de abastecimento três vezes por semana.
A responsável explicou que a AEM dispõe atualmente de uma capacidade de produção de cerca de 530 metros cúbicos de água por dia e enfrenta perdas na rede que rondam os 50%, o que, segundo disse, impossibilita garantir abastecimento permanente a unidades hoteleiras, excecionando apenas serviços considerados prioritários, como a Delegacia de Saúde, o aeroporto e a EPEC.
Claudina Ramos assegurou, contudo, que a empresa reconhece a importância do turismo para o desenvolvimento da ilha, mas salientou que as empresas, embora sujeitas a tarifas específicas, não beneficiam de exclusividade no abastecimento de água.
A administradora acrescentou que a situação deverá melhorar com a execução de projetos estruturantes, entre os quais a construção de uma nova central dessalinizadora com capacidade para produzir 2.500 metros cúbicos de água/dia, permitindo reforçar a disponibilidade de água para a população e para as atividades económicas.
RL/AA
Inforpress/Fim
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