
Espargos, 31 Jan (Inforpress) – A Comissão Política Regional do PAICV no Sal denunciou hoje uma “situação crítica” no sistema de saúde da ilha, alertando que as falhas no hospital regional e nos centros de saúde colocam em risco a vida dos utentes.
Em conferência de imprensa realizada na localidade da Palmeira, o presidente da Comissão Política Regional, Carlos Monteiro, expôs um cenário de "degradação e ruptura" que, segundo disse, afecta tanto os cuidados hospitalares como os primários.
De acordo com o político, o Hospital Regional Ramiro Figueira enfrenta um "défice severo" de especialistas, indicando que a unidade não dispõe de um médico de Medicina Interna e que a única infectologista foi transferida sem substituição.
“A esta carência somam-se a reforma de técnicos de laboratório e a saída de quatro enfermeiros, entre transferências e evacuações, cujas vagas permanecem por preencher, sobrecarregando os serviços e degradando a qualidade da assistência prestada”, sublinhou.
Para além dos recursos humanos, o PAICV apontou "falhas graves" na logística, denunciando a falta recorrente de oxigénio, gesso e materiais básicos.
“A situação de degradação das instalações atingiu um ponto tal que os próprios enfermeiros chegaram a organizar peditórios para financiar pequenas obras de manutenção no Banco de Urgência”, continuou.
O partido alertou ainda para a insegurança da infra-estrutura, denunciando que o sistema de extinção de incêndios se encontra totalmente inoperacional, o que representa um “perigo latente” para doentes e funcionários.
A crise, segundo Carlos Monteiro, estende-se à delegacia de saúde e aos centros periféricos. O partido destaca a inexistência de um técnico de estatística, o que impossibilita a notificação obrigatória de doenças e o planeamento sanitário.
Na saúde reprodutiva, continuou a mesma fonte, a rutura de ‘stocks’ de seringas para anticoncepcionais, luvas e anestésicos está a “prejudicar gravemente” o planeamento familiar na ilha.
“Em Santa Maria, o serviço de Raio-X permanece paralisado por falta de técnicos, apesar de possuir equipamentos operacionais, enquanto na Palmeira o novo Centro de Saúde, prometido desde 2022, continua de portas fechadas e sem previsão de inauguração”, frisou.
Carlos Monteiro aproveitou a ocasião para criticar as prioridades do Ministério da Saúde, referindo-se à realização de um encontro nacional de saúde agendado para a próxima semana num hotel de luxo na ilha.
Para a oposição, “é inaceitável” que se invistam recursos avultados num evento de elite enquanto as estruturas locais carecem de seringas e oxigénio, pelo que exige um “plano de gestão sério” e o “reforço imediato” de pessoal e consumíveis.
“A saúde não pode continuar a ser tratada com improviso. A ilha do Sal, que tanto contribui para a economia nacional, precisa e merece um sistema de saúde público digno, funcional e humano”, concluiu.
NA/CP
Inforpress/Fim
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