
Espargos, 03 Fev (Inforpress) – As autoridades de Saúde do Sal rejeitaram hoje as acusações do PAICV sobre uma alegada “situação crítica” no sector, assegurando funcionamento regular da Delegacia e do Hospital Regional Ramiro Figueira.
A delegada de Saúde do Sal, Manuela Lima, e a presidente do Conselho de Administração do Hospital Regional Ramiro Figueira, Ivone Lizana, falavam em conferência de imprensa realizada hoje na ilha do Sal, em resposta às acusações feitas pelo PAICV-Sal no passado dia 31 de Janeiro, que apontavam “falhas críticas” no Hospital Regional Ramiro Figueira e nos centros de saúde.
Na sua intervenção, a delegada de Saúde sublinhou que a Delegacia de Saúde do Sal desempenha um “papel central” na organização, coordenação e execução das políticas de saúde pública na ilha, assegurando “vigilância epidemiológica permanente, cuidados de saúde primários estruturados e resposta atempada” a qualquer evento sanitário.
“Trata-se da ilha mais turística do país, com elevada mobilidade populacional e crescimento contínuo da procura, o que exige maior capacidade técnica, planeamento rigoroso e funcionamento estável dos serviços, condições essas que estão asseguradas”, sublinhou.
Garantiu que não houve qualquer rotura de vacinas, referindo que todas as crianças são vacinadas regularmente.
Só no mês de Janeiro, avançou, foram vacinadas cerca de 700 crianças, incluindo recém-nascidos no Hospital Ramiro Figueira, através de deslocações diárias das equipas da Delegacia.
A responsável destacou ainda o funcionamento contínuo da saúde reprodutiva, sem rupturas de métodos contraceptivos no último ano, o acompanhamento regular de doentes crónicos em todos os centros de saúde e a inexistência de salários em atraso entre os profissionais da Delegacia, assegurando a estabilidade das equipas.
No plano assistencial, explicou que as consultas de doentes crónicos decorrem diariamente nos centros de Espargos e Palmeira, três vezes por semana em Santa Maria e mensalmente em Pedra de Lume, de acordo com critérios técnicos e adequação à procura.
Anunciou também que o aparelho de radiologia do Centro de Saúde de Santa Maria entrará em manutenção ainda este mês.
Relativamente às infra-estruturas, informou que o Centro de Saúde da Palmeira se encontra em fase final de preparação para inauguração formal, mantendo, entretanto, as consultas médicas e de enfermagem a funcionar normalmente de segunda a sexta-feira.
Por sua vez, a presidente do Conselho de Administração do Hospital Regional Ramiro Figueira considerou que as declarações do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), no Sal, assentam numa leitura “enviesada, descontextualizada e irresponsável” da realidade hospitalar, ignorando o enquadramento técnico e normativo aplicável aos hospitais regionais.
Ivone Lizana afirmou que a unidade dispõe de um corpo clínico multidisciplinar, integrando pediatria, ginecologia-obstetrícia, cirurgia, oftalmologia e especialistas em medicina geral e familiar, alguns com formação em pediatria e cuidados intensivos, assegurando uma abordagem integrada e tecnicamente qualificada ao doente.
“No domínio dos recursos humanos, a equipa de enfermagem foi reforçada através da regularização do vínculo contratual de mais sete enfermeiros anteriormente em situação de precariedade laboral, permitindo maior estabilidade organizacional e continuidade assistencial”, assegurou.
Registou-se igualmente, continuou a mesma fonte, o regresso de uma enfermeira que se encontrava em licença sem vencimento, estando prevista a integração de mais um profissional a ser nomeado pelo Ministério da Saúde.
Quanto a eventuais constrangimentos no fornecimento de insumos, esclareceu que se tratam de situações pontuais associadas a cadeias internacionais de abastecimento, nomeadamente, no que respeita a reagentes laboratoriais e oxigénio, dependentes de importação, não configurando falhas do hospital ou do sistema.
A PCA assegurou igualmente que o hospital dispõe de sistema funcional de segurança contra incêndios, plano interno de evacuação e protocolos de higiene e controlo de infecção alinhados com as normas nacionais.
As duas responsáveis reafirmaram o compromisso das instituições em proteger a saúde da população do Sal, com base no “rigor técnico, continuidade assistencial e responsabilidade institucional”, mantendo-se abertas a contributos tecnicamente fundamentados e cientificamente orientados.
NA/HF
Inforpress/Fim
Partilhar