
Cidade da Praia, 08 Jan (Inforpress) – O projecto de Tradução do Novo Testamento para a Língua Cabo-verdiana arrancou hoje, com a realização do primeiro Seminário de Tradução do Novo Testamento, promovido pelas Dioceses de Santiago e do Mindelo.
Esse projecto insere-se no âmbito das celebrações dos 500 anos da Diocese de Santiago de Cabo Verde, que se assinala em 2033, e é promovido pela Escola Universitária Católica de Cabo Verde (EU Católica) e pela Comissão Nacional de Tradução da Bíblia (CNTB), órgão mandatado pelos bispos das duas Dioceses.
Em entrevista, o coordenador do projecto, padre José Eduardo Furtado, afirmou que a iniciativa resulta de uma orientação antiga da Igreja Católica, emanada do Concílio Vaticano II, em 1962, que recomenda a tradução da Sagrada Escritura para as línguas vernáculas.
O responsável explicou ainda que a proximidade da celebração dos 500 anos da Diocese de Santiago de Cabo Verde, em 2033, foi um factor decisivo para a concretização da iniciativa, considerada um dos projectos estruturantes das comemorações.
Segundo Furtado, vários países africanos lusófonos, como Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, já avançaram há décadas com este trabalho, enquanto Cabo Verde começa agora a reunir as condições necessárias.
“O projecto já existia há muito tempo, estamos apenas a dar um passo que já devia ter sido dado”, sublinhou.
De acordo com o coordenador, a tradução do Novo Testamento para a língua cabo-verdiana tem uma forte dimensão simbólica, ao colocar a Igreja local em comunhão com as orientações do Vaticano e com outras dioceses, e um peso histórico, num contexto de debate em torno da língua cabo-verdiana.
O sacerdote acredita que o projecto poderá contribuir para a sua padronização, à semelhança do impacto da tradução da Bíblia por Martinho Lutero na consolidação da língua alemã.
Questionado sobre os desafios, o padre José Eduardo Furtado apontou o cepticismo e a diversidade de opiniões como os principais obstáculos.
“O maior desafio é fazer as pessoas acreditarem que isto é possível”, afirmou, acrescentando que o último ano foi dedicado à investigação, estudo e contactos com especialistas da língua crioula.
Relativamente ao impacto pastoral, o coordenador mostrou-se confiante de que a tradução poderá incentivar um maior número de fiéis à leitura da Bíblia, reforçando o trabalho de formação e sensibilização já desenvolvido pela Igreja Católica, sobretudo no âmbito da catequese.
Sobre o rigor da tradução, Furtado garantiu que o projecto terá uma metodologia própria e científica, diferente de simples adaptações do português para o crioulo.
Estão previstas várias subcomissões, incluindo uma de língua grega, responsável pela tradução directa do texto original, uma de língua cabo-verdiana, para a adequação linguística, e subcomissões teológica e litúrgica, que irão assegurar a ortodoxia e o rigor exegético e hermenêutico.
CG/SR//HF
Inforpress/Fim
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