Gracelino Barbosa propõe mais investimento na formação para aproveitar talento cabo-verdiano

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Gracelino Barbosa propõe mais investimento na formação para aproveitar talento cabo-verdiano
14/08/26 - 02:11 pm

Cidade da Praia, 14 Ago (Inforpress) – O atleta paralímpico Gracelino Barbosa pediu hoje reforço da formação desportiva e criação de estruturas capazes de acompanhar os jovens atletas desde o início até ser campeão do mundo e desenvolver o talento desportivo no país.

Em entrevista à Inforpress, Gracelino Barbosa recordou que iniciou a sua carreira desportiva apenas aos 18 anos, depois de viajar para Portugal, onde começou a trabalhar a técnica e a preparação física.

“Eu era descoordenado, nunca conseguia correr direito, precisava de ter aquela técnica de corrida e, quando cheguei a Portugal, todo aquele trabalho foi feito”, contou.

A preparação permitiu-lhe conquistar títulos e medalhas internacionais, incluindo o título de campeão do mundo. Contudo, admite que poderia ter alcançado ainda mais resultados se tivesse começado a sua preparação mais cedo.

“Toda aquela preparação devia ter sido antes. Hoje, talvez, em vez das 18 medalhas que ganhei, poderia ter ganhado umas 88”, afirmou.

A partir da sua experiência, o atleta sugeriu uma aposta estruturada na formação, com maior ligação entre escola, desporto e sociedade.

“Precisamos trabalhar na formação, uma formação com estrutura para levar os jovens para longe”, considerou, apontando a necessidade de acompanhar o atleta durante todo o percurso.

Para Gracelino Barbosa, Cabo Verde tem jovens com potencial, mas muitos procuraram no estrangeiro as condições necessárias para evoluir.

O atleta acredita igualmente que os antigos desportistas têm um papel importante na formação das novas gerações, através da transmissão das suas experiências.

“Quem já foi atleta tem essa experiência. Sabe como é ser atleta e quais são as necessidades de um atleta até ele ser campeão do mundo”, afirmou.

Gracelino Barbosa disse acreditar que a sua trajetória tem inspirado jovens cabo-verdianos e revelou que recebe mensagens de pessoas que pretendem seguir os seus passos.

“Eu digo que não quero que sejam como eu, quero que sejam melhores do que eu, que ganhem mais medalhas do que eu”, afirmou.

O atleta paralímpico considerou que o desporto deve ser encarado também como instrumento de educação e transformação social.

“Cabo Verde tem talento, todos sabem disso. Se não trabalharmos o desporto, ele morre rapidamente”, advertiu, defendendo uma aposta contínua na formação para transformar o potencial existente em mais atletas de nível mundial.

Ao longo da carreira, o atleta tem levado o nome de Cabo Verde aos grandes palcos internacionais e conquistou títulos, medalhas e recordes mundiais. 

O bronze alcançado nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, primeira medalha paralímpica da história do país, permanece como um dos momentos mais marcantes de um percurso construído com determinação, trabalho e perseverança.

CG/AA

Inforpress/Fim

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