Colecção de mais de mil anjos dá origem ao Museu Memorial da Fundação Donana

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Colecção de mais de mil anjos dá origem ao Museu Memorial da Fundação Donana
14/08/26 - 02:28 pm

Cidade da Praia, 14 Ago (Inforpress) - Uma colecção de mais de mil anjos dá origem ao Museu Memorial da Fundação Donana, projecto cultural e espiritual inédito em Cabo Verde que promete transformar a memória e a saudade num espaço vivo de contemplação e acolhimento. 

Guardadas durante anos em caixas de papelão após a partida precoce da sua proprietária em 2006, as centenas de figuras de variados tamanhos, formas e materiais foram doadas pela família à fundação presidida por Ana Maria Fonseca Hopffer Almada, devolvendo à luz do dia um acervo único de afecto e fé.

A iniciativa é de Ana Maria Fonseca Hopffer Almada, que quer transformar a saudade e a memória de uma profunda amizade num projecto cultural e espiritual inédito em Cabo Verde, denominado Memorial e Museu dos Anjos da Lica.

Em entrevista à Inforpress, Ana Maria Fonseca Hopffer Almada considerou que a génese do projecto remonta à amizade entre ela e a sua falecida amiga, criadora da colecção, conhecida afectuosamente como Lica, uma mulher lembrada pela sua dedicação às causas sociais, pela imagem habitualmente vestida de branco e pela “profunda dimensão espiritual”. 

Em vida, conta que Lica transformou o seu lar num santuário de serenidade onde os anjos faziam parte da rotina diária e serviam de cenário a encontros de meditação e partilha.

“A Lica gostava de mostrar os seus anjos, queria que as pessoas sentissem algo diante deles. Vê-los encaixotados após a sua morte foi doloroso. Senti que aquela história não podia terminar ali. Os anjos precisavam de voltar a transmitir paz, protecção e luz”, recorda Ana Maria Fonseca Hopffer Almada.

O passo decisivo para a concretização da iniciativa deu-se em Março de 2012, quando o marido e os filhos de Lica formalizaram a doação integral da colecção à Fundação Donana. 

Embora a instituição tenha sido fundada em 2010, quatro anos após o falecimento de Lica, a benemérita já colaborava activamente em acções de apoio social ao lado de Ana Maria, razão pela qual é hoje reconhecida como sócia-benemérita a título póstumo.

Apesar de o acervo ainda estar em fase de organização, as centenas de pessoas que frequentam diariamente a sede da fundação têm já a oportunidade de contemplar parte da colecção. 

Segundo a presidente da Fundação, as reacções dos visitantes coincidem ao demonstrar uma imediata sensação de serenidade e reflexão no contacto com o conjunto de peças.

A curadoria e organização de um acervo desta dimensão representam um desafio técnico e emocional, pelo que o processo de inventariação e catalogação contará com o apoio de voluntários da área da informática.

Mas também, continuou, com o contributo de especialistas e colaboradores próximos, como frei Gilson, que colocou à disposição a sua ajuda técnica e artística para estruturar a narrativa expositiva.

Para contornar custos e garantir um alcance global, a estratégia de lançamento do museu será dividida em duas fases, sendo que a primeira aposta na criação do Museu Virtual, focado na catalogação digital e no desenvolvimento de uma plataforma online acessível em qualquer parte do mundo para divulgar a história de Lica e a simbologia dos anjos.

O projecto culminará, numa segunda fase, na criação do Museu Físico, conceptualizado como uma exposição permanente a instalar na futura sede da Fundação Donana, desenhada como um espaço imersivo de contemplação, recolhimento e memória.

Com esta iniciativa, a Fundação Donana pretende enriquecer o património cultural cabo-verdiano, acrescentando-lhe uma vertente “fortemente ligada aos afectos e à espiritualidade imaterial”.

Para a promotora do projecto, o memorial transcende a vertente museológica tradicional, reinterpretando o conceito de luto ao propor um espaço onde a saudade se transforma em celebração da vida, da amizade e da fraternidade humanitária.

SC/AA

Inforpress/Fim

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