
São Filipe, 05 Mar (Inforpress) - Um estudo de mercado sobre os sectores de transformação do leite, hortofruticultura e produção de artesanato para o mercado turístico na ilha do Fogo aponta a “elevada informalidade e descoordenação” como principais obstáculos ao aproveitamento do potencial produtivo.
O consultor responsável pelo estudo, Amílcar Monteiro, disse que a ilha possui uma tradição significativa na produção e transformação agrícola, porém grande parte dessa actividade decorre de forma informal, o que dificulta a inserção dos produtos em mercados mais competitivos, como o turismo.
Segundo o especialista, muitos produtores dedicam-se à produção de queijo, doces e artesanato, mas, devido à informalidade, esses produtos acabam por não chegar aos circuitos turísticos.
Outro desafio identificado é a falta de cooperação institucional entre os sectores privados e públicos, uma vez que existem diversas iniciativas pontuais que acabam por não gerar impacto duradouro nem transformar a realidade do sector.
Amílcar Monteiro apontou ainda que já foram lançadas iniciativas relacionadas com a melhoria de raças, qualificação de produtores e criação de queijarias, mas muitas não avançaram devido à ausência de uma agenda comum e de coordenação entre os diferentes intervenientes.
Para ultrapassar estes desafios, o consultor defende o reforço do diálogo público-privado e a criação de mecanismos de organização do sector produtivo.
Entre as recomendações do estudo está a criação de um comité coordenador que possa estruturar uma agenda de trabalho, formar subcomités técnicos e definir prioridades para o desenvolvimento do sector.
Segundo explicou, essa organização permitiria, a médio prazo, desenvolver produtos com denominação de origem e até explorar oportunidades de exportação, como no caso do queijo.
O comité teria também a função de fazer um inventário da produção agrícola na ilha, identificando, por exemplo, o potencial das mangueiras e formas de responder à crescente procura do sector turístico.
Amílcar Monteiro destacou ainda que, enquanto alguns sectores como o vinho e café apresentam uma organização cooperativa voltada para a exportação, a maioria da produção local continua a ser artesanal e independente, sem contratos de fornecimento ou estruturas capazes de responder de forma organizada à procura do mercado.
Por sua vez, o coordenador local do projecto Destino Fogo, José Araújo, explicou que o estudo foi realizado com o objectivo de apoiar a diversificação da oferta turística na ilha, identificando oportunidades que possam ser valorizadas neste processo.
No âmbito do projecto, foram promovidas acções de formação e capacitação nas áreas de gestão de agroturismo e turismo de experiência, bem como apoios financeiros destinados a cooperativas para melhorar a produção e a oferta de produtos e serviços turísticos.
José Araújo sublinhou que a continuidade das mesas de diálogo promovidas pela organização COSPE será “fundamental” para aproximar os diferentes actores, criar consensos e definir uma agenda comum que permita promover o desenvolvimento sustentável do turismo e reforçar a diversificação da oferta turística na ilha do Fogo.
JR/ZS
Inforpress/Fim
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