Emissões de obrigações atingem sete mil milhões de escudos e aproximam-se do crédito bancário às empresas – BCV

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Emissões de obrigações atingem sete mil milhões de escudos e aproximam-se do crédito bancário às empresas – BCV
23/10/26 - 01:08 pm

Mindelo, 23 Out (Inforpress) – As emissões de obrigações de sociedades não financeiras atingiram cerca de sete mil milhões de escudos em 2025, valor próximo do financiamento bancário concedido a essas empresas, disse hoje o governador do Banco de Cabo Verde (BCV).

Óscar Santos, que falava na abertura da Conferência sobre Inclusão Financeira através do Mercado de Capitais, considerou que estes dados “demonstram a relevância crescente do mercado de capitais, como canal de financiamento empresarial e uma alternativa ao crédito bancário”.

Apesar dos avanços, Óscar Santos alertou que Cabo Verde continua a enfrentar desafios relacionados com a dimensão reduzida do mercado, a vulnerabilidade a choques externos e a necessidade de diversificar a economia e as fontes de financiamento.

“Mas o desenvolvimento do mercado não se mede apenas pelo volume de emissões. É igualmente necessário estimular a negociação, alargar a base de investidores, reforçar a transparência e, sobretudo, reforçar a confiança”, afirmou.

Para o governador do BCV, a inclusão financeira deve ultrapassar o acesso aos serviços bancários, aos meios de pagamento e ao crédito, abrangendo também a poupança, o investimento e outros instrumentos financeiros.

“Uma sociedade verdadeiramente inclusiva deve proporcionar aos cidadãos não apenas acesso a uma conta ou a meios de pagamento, mas também condições para poupar, investir, proteger-se contra riscos e participar na criação de riqueza”, declarou.

Neste sentido, defendeu a criação de condições para que mais empresas com projectos viáveis, boa governação e informação financeira de qualidade possam recorrer ao mercado de capitais para financiar as suas actividades.

Óscar Santos apontou igualmente a diáspora como uma oportunidade estratégica para mobilizar recursos, salientando que o novo enquadramento aplicável aos títulos de diáspora abre novas possibilidades de investimento.

Contudo, advertiu que a existência de um quadro legal não é suficiente, sendo necessários projectos credíveis, instrumentos adequados e mecanismos seguros e transparentes de participação.

Entre as prioridades, destacou a diversificação do financiamento da economia, a dinamização do mercado e o alargamento da participação dos investidores, incluindo investidores institucionais e a diáspora.

O governador considerou ainda que o reforço da confiança e da eficiência do sistema financeiro exige protecção dos investidores, educação financeira, supervisão adequada e modernização dos procedimentos.

CD/HF

Inforpress/Fim

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