
Cidade da Praia, 08 Jan (Inforpress) – A presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) alertou que o atraso das denuncias de agressões sexuais contra crianças dificulta a recolha de vestígios e contribui para a impunidade dos agressores.
Ineida Cabral manifestou-se preocupada com o “número considerável” de denuncias destes casos.
“A partir de 72 horas nós não conseguimos encontrar vestígio e muitas vezes são irrisórios os vestígios que podemos encontrar, imagina três meses. E com isso acaba-se por dizer que a justiça não está a ser feita, mas nós trabalhamos com evidências e com provas, e quando não temos provas não podemos fazer nada”, lamentou.
A responsável defendeu, neste sentido, o reforço da educação sexual das crianças como uma ferramenta fundamental de prevenção e de combate aos abusos.
“Com uma educação sexual as crianças terão maior capacidade de comunicar qualquer tentativa ou acto de agressão aos pais, professores ou pessoas de confiança, permitindo uma intervenção atempada das autoridades”, assegurou.
Ineida Cabral salientou que o Instituto Nacional de Medicina Legal tem vindo a desenvolver, desde o ano passado, campanhas de sensibilização nas escolas primárias, junto de parceiros, com materiais pedagógicos adaptados à linguagem infantil, incluindo panfletos, “flyers” e conteúdos educativos.
Para este ano 2026, afirmou que pretendem alargar a iniciativa às escolas que ainda não foram abrangidas na cidade da Praia, estendendo para o interior de Santiago e, numa fase seguinte, às restantes ilhas.
Igualmente, tem previsto a realização de workshops sobre agressão sexual infantil nas ilhas do Sal e da Boa Vista, envolvendo entidades da justiça, forças policiais, sector da saúde, bombeiros, Ministério Público, organizações da sociedade civil e organizações não-governamentais (ONG).
O objectivo, segundo sublinhou, é reforçar a resposta nacional na prevenção e combate à violência sexual contra crianças e adolescentes no país.
Entretanto, apelou aos pais e encarregados de educação a prestarem atenção às crianças e ao diálogo para que possam conhecer o seu corpo e identificar situações de risco.
ET/HF
Inforpress/Fim
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