Crioulidade pode contribuir para novas formas de cooperação internacional e diálogo cultural - diplomata

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Crioulidade pode contribuir para novas formas de cooperação internacional e diálogo cultural - diplomata
29/05/26 - 04:04 pm

Cidade da Praia, 29 Mai (Inforpress) – O embaixador cabo-verdiano Fernando Wahnon afirmou hoje que a crioulidade pode contribuir para novas formas de cooperação internacional e diálogo cultural, sublinhando que a diplomacia cultural tem um “papel importante” na construção de pontes entre as sociedades.

O diplomata intervinha no painel, “Governação, Cooperação e Diplomacia Crioula”, no âmbito do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, que decorre na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), na Cidade da Praia, até sábado, 30.

Entretanto considerou que há uma forte vontade política por parte dos diversos Governos na implementação de uma agenda, ciente de que a diplomacia clássica age enquanto instrumento de política externa, ou seja, executa as directivas governamentais na área das relações internacionais.

No seu entender, a implementação dessa diplomacia deverá ocorrer a nível multilateral nos fóruns em que os países estejam representados, com propostas e acções concretas baseadas na promoção e diálogo intercultural à forma híbrida e horizontal, em vez da aceitação de modelos hegemónicos.

“Esta é a essência da crioulidade, fazer valer a sua diversidade, fazer valer o seu compromisso de diálogo, ir ao encontro de outros e ou obter consensos”, apontou.

A nível das relações bilaterais, defendeu que os Estados deverão procurar introduzir nas suas relações o intercâmbio cultural, a promoção e defesa das unidades locais em territórios estrangeiros, de forma a promover as suas tradições coloniais e pós-coloniais, dando-as a conhecer à população do país onde se encontram, fazendo a ponte cultural e promovendo o próprio país.

Explicou que a política cultural desenvolvida, deverá ser ainda complementada com instrumentos de social power, ou seja, com a diplomacia clássica e fomentando a criação de pontos entre os diferentes continentes e valorizando a diversidade como solução para desafios globais.

Por outro lado, a diplomacia cultural deverá implementar uma agenda de cooperação descentralizada e horizontal, promovendo estreitamente de laços entre comunidades, dispersas pelo mundo e a incentivar o intercâmbio do conhecimento e experiências de forma directa e sem dependência de vários blocos.

Por seu turno, o professor e investigador, Odair Varela disse que a ideia é ver como é que a diplomacia e a governação podem contribuir para a crioulidade, e vice-versa, e, a partir daí, ver como é que a crioulidade vai reflectir nas agendas da região em África e contribuir para a renovação de um pan-africanismo renovado.

"Para mim só faz sentido falar de crioulidade se ela estiver atrelada à agenda pan-africana, sendo que temos ainda desafios de integração regional na CEDEAO, como é que a Governo vai resolver dossiês importantes como a questão do pagamento da taxa comunitária da CEDEAO, como é que nós vamos arranjar condições para que os jovens cabo-verdianos cada vez mais se integrem no mercado da CEDEAO e tenham oportunidades de emprego”, apontou.

Neste sentido, defendeu que a crioulidade deve ser vista não apenas como algo a celebrar no âmbito da cultura, mas como uma ferramenta de resistência para lutar contra as desigualdades existentes, contra o eurocentrismo e contra o capitalismo neoliberal.

Para o investigador, a crioulidade é um símbolo de resistência, uma vez que já provou que é possível resistir ao colonialismo, ao neocolonialismo e ao neoliberalismo, isso significa que é um sinal de cooperação, mesmo que não reconhecido oficialmente.

No seu entender, é preciso formalizar e reconhecer esse papel de forma formal, porque a crioulidade não pode ficar só nas margens, é preciso dar-lhe o devido tratamento, o devido reconhecimento.

AV/ZS

Inforpress/Fim

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